O verdadeiro risco Brasil, para a maioria dos cidadãos do país, residentes em favelas ou em luxuosos condomínios fechados, não é o medido por economistas e que serve de referência para os investimentos estrangeiros. Ele está relacionado à violência, ao medo crescente provocado pela criminalidade. A sensação de insegurança já faz parte, também, da vida das populações das cidades de médio porte do país, às quais recorriam, como abrigo, há algum tempo, aqueles que se mudavam das capitais na esperança de escapar dos efeitos perversos da criminalidade. Prova incontestável de que o risco da violência é o que mais preocupa a população brasileira está no resultado das pesquisas de opinião pública que, cada vez mais, indicam a segurança como um dos principais problemas a serem resolvidos pelas autoridades do país.
Ao se considerar que a criminalidade atual é decorrente de diversos fatores históricos, como a consagrada desvalorização do trabalho, a arraigada insuficiência de recursos para uma vida digna e os deploráveis investimentos em educação, pode-se afirmar que o fenômeno da violência nasceu, no Brasil, há mais de 500 anos, e vem crescendo avassaladoramente. É preciso, urgentemente, recuperar o tempo perdido pela inação de contínuos governos. Somente a integração de todas as forças que têm co-responsabilidade pela garantia da ordem pública será capaz de reverter o absurdo quadro de violência que vem assolando o país nas últimas décadas.
O combate à banalização do crime, processo do qual tem que participar não somente as forças de segurança, mas toda a sociedade civil organizada, é o primeiro grande passo a ser dado por uma nação que queira estar entre aquelas cujos níveis de violência estão classificados como os das mais civilizadas do mundo. Campanhas de conscientização em massa de valorização da vida humana e dos riscos que as drogas oferecem à saúde e ao fortalecimento bélico dos criminosos têm que ser desencadeadas concomitantemente às ações policiais. É preciso proteger as fronteiras, os estados, as cidades, os distritos, os bairros e as ruas. Isoladamente, ninguém será capaz de fazê-lo.