Quem compra peças de carros roubadas estimula o crime?

No meu último comentário, tratei da questão do papel de financiadores do tráfico que, admitido ou não, é exercido pelos usuários de drogas, que dão o suporte financeiro necessário para que os criminosos comprem armas de guerra que oferecem riscos a todos.

Ontem, o “Fantástico” exibiu mais uma grande operação da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis, a DRFA, que vem realizando um sério trabalho no combate a essas duas modalidades de crime no Rio de Janeiro. Após um minucioso trabalho de inteligência, aliás uma exemplar característica das equipes da DRFA, os policiais cercaram e desarticularam, na zona oeste do Rio, uma “feira” de vendas de peças de veículos de procedência não comprovada, ou seja, provavelmente fruto dos crimes de roubos e veículos. As imagens levadas ao ar mostravam as pessoas comprando peças como quem vai à feira comprar frutas e legumes, como se não houvesse nada demais nisso. Isso é inadmissível!! É um estímulo ao crime!!

Imagine, você, como se sentiu, ao assistir à reportagem, uma pessoa que sofreu a violência praticada por um ladrão de carros que levou o seu patrimônio? E a reação de quem teve um parente ferido ou morto por um ladrão de carros, capaz de extirpar uma vida, para se apoderar do bem material?

As pessoas precisam se conscientizar de que levar pequenas vantagens, ao comprar peças de carros roubados, CDs piratas ou qualquer outro produto levado às ruas de forma criminosa, é contribuir com os bandidos, sejam eles assaltantes ou receptadores. O combate à criminalidade não é uma missão somente da polícia. É de todos. A polícia, com a sua missão de prevenir e reprimir os crimes. Os cidadãos, com o seu dever cívico de não se locupletar com essas vantagens enganosamente inofensivas e, mais do que isso, denunciá-las à polícia, sob a segurança do anonimato.

As pessoas precisam ter repugnação à revenda ilegal de produtos roubados ou falsificados. Por trás desses negócios escusos está alguém que perdeu seu patrimônio ou um ente querido. Por trás dessas atividades criminosas está uma cultura de leniência com práticas inaceitáveis que precisam ser revistas, para que a gente possa iniciar a construção de um país melhor para todos, onde todos possam ter a oportunidade de conseguir as suas coisas por meio do trabalho honesto.

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2 respostas a Quem compra peças de carros roubadas estimula o crime?

  1. Marcelo Mendonça disse:

    Eu concordo plenamente com o ex-secretário de Segurança Marcelo Itagiba. Quem compra objeto roubado está praticando crime e ajudando as quadrilhas a sobreviverem. Temos que acabar com esse negócio de querer levar vantagem, desconsiderando as conseqüências desse tipo de coisa.

  2. Reinaldo Leal disse:

    Não há outra interpretação que se faça a não ser esta. A sociedade do nosso país deveria, em caráter individual, fazer uma grande reflexão de seus atos, analisando as conseqüências geradas por ações que sempre buscam uma vantagem mesquinha e egoísta. Não cabe mais apontar um culpado e eximir-se da responsabilidade. Isto tudo que vivemos atualmente é um o resultado do que por anos foi cultuado como sendo uma característica nobre do brasileiro: sua capacidade de lidar com os problemas na base do “jeitismo”, do “jeitinho”.
    A grande revolução que se espera não vai acontecer em grandes passeatas pela paz, mobilizações sociais por moralidade e ética, campanhas de auxílio ao próximo, mas sim uma revolução no interior de cada um de nós, uma reflexão sobre a influência de nossos atos no meio em que vivemos.

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