As opiniões reunidas no caderno especial publicado hoje no Globo, a respeito do conjunto de medidas que devem ser tomadas para que a criminalidade nacional seja efetivamente combatida, confirmam o que venho falando exaustivamente nos últimos anos. As medidas não podem ser isoladas. O problema da criminalidade, que se alastra por todo o país, exige, em primeiro lugar, que a segurança pública se torne prioridade nacional. Para isso, precisamos de um Ministério da Segurança Pública e, também, que a Constituição Federal estabeleça um percentutal obrigatório de investimentos na área de segurança, como já existe para a saúde e a educação.
Ao mesmo tempo, é necessário que sejam providenciadas inciativas que, concomitantemente, contribuam para o fim do caos social brasileiro que alimenta a violência. Temos que combater o crime com polícia bem aparelhada, com reformulação do Código Penal, com investimentos sociais, com a ampliação da rede pública de saúde, com escolas em tempo integral, com desenvolvimento econômico, com geração de empregos, com ações conjuntas da quais participem todas as forças de segurança que têm co-responsabilidade pela ordem pública e, principalmente, com uma efetiva política nacional de segurança pública que até hoje não saiu do papel.
Nenhuma dessas medidas, isoladamente, surtirá efeito. Mas todas juntas, com a participação da população, que deve denunciar anonimamente os criminosos e jamais comprar produtos roubados ou pirateados, estaremos no camimho certo para combater a violência que tem ceifado a vida de 50 mil brasileiros todos os anos.