Nixon, Lula e os aloprados

Em 1974, um ano antes de Lula assumir o cargo que o projetaria nacionalmente, o de presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, a história dos EUA deu uma lição ao mundo político, que, se tivesse sido assimilada pelo então líder operário, talvez o tivesse livrado dos transtornos causados pelos “aliados” ou “aloprados” do partido do presidente da República do Brasil. 

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Eleito presidente dos EUA, em 1968, com 43,3% dos votos, Richard Nixon se reelegeu, em 1972, com a magnífica marca de 60,8% dos votos populares e 97% do colégio eleitoral. Contudo, nem a força de tamanha popularidade foi capaz de evitar que, dois anos depois, renunciasse ao seu segundo mandato, pressionado pelo processo de impeachment instaurado pelo Congresso Nacional americano.


 Nixon começou a ver sua carreira política desmoronar na madrugada de 17 de junho de 1972, ou seja, cinco meses antes das votações que o reelegeriam. Cinco “aliados” do republicano – mais tarde se revelaria que, entre eles, estava o diretor de segurança do seu comitê para reeleição – foram flagrados instalando aparelhos de escuta no prédio Watergate, sede do rival Partido Democrata.

O caso ganharia a dimensão de um escândalo sem precedentes na história dos EUA quando, com Nixon já exercendo o segundo mandato, os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, reuniram provas que ligavam os criminosos à Casa Branca.
Na verdade, o flagrante da ação criminosa evidenciou uma prática iniciada pelos republicanos já no primeiro ano de mandato de Nixon, em 1969. Auxiliares do presidente grampearam telefones de altos funcionários do governo e de jornalistas que cobriam a Casa Branca, para descobrir a origem do vazamento das informações que revelaram o bombardeio secreto feito pelos EUA no Camboja.

Aqui, numa ação igualmente insana, os aloprados do PT, por meio de atos condenáveis, tentaram interferir no processo eleitoral, mas a candidatura de Lula manteve-se inabalável frente ao desgaste provocado.  Em sua recondução ao cargo – aliás, tão expressiva quanto à de Richard Nixon –, Lula conquistou 60,83% dos votos válidos.

A estupenda votação demonstra que a continuidade ao projeto social-democrata posto em vigor pelo governo anterior e, assim, vigente nos últimos doze anos tem a aprovação majoritária da população brasileira. Com inflação sob controle, aumento do poder de compra e diminuição das taxas de desemprego, o país, hoje, reúne as condições necessárias para atingir maior crescimento econômico e suas desejáveis conseqüências.

O Brasil não pode desperdiçar a oportunidade histórica de promover um desenvolvimento que propicie condições de vida dignas para toda a população brasileira e redução dos níveis de injustiça social que, dentre suas diversas decorrências, desembocam nos altos índices de violência.

Não somos um país de aloprados, corruptos e criminosos. O Brasil é feito de gente honesta e trabalhadora. O presidente não pode estar cercado de pessoas para as quais os fins justificam os meios. O Projeto Brasil não pode ser sabotado por meia dúzia de aloprados.
 
Publicado no Jornal do Brasil, em 11 de dezembro de 2006
 
 
 
 

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