(Helio Fernandes – Tribuna da Imprensa) – Muito antes de completar 6 meses de governo, Sérgio Cabral começou a coordenar o nome do vice, Luiz Fernando Pezão, para prefeito do Rio. Falou com o próprio, que gostou da idéia. Foi o primeiro nome a surgir oficialmente. Desconfiado, Pezão consultou juristas, que disseram: “Para ser candidato você tem que deixar a vice”. Achou que Cabral sabia disso, não aceitou. Ficou em silêncio um tempão, agora reapareceu.
E numa entrevista a “O Globo” estraçalhou Molon, jogou-o para fora do circuito de forma definitiva. Molon não era nem o candidato do PT-PT, só chegou a essa condição pelo fato do preferido do PT-PT, Edson Santos, ter sido nomeado ministro. Nem afirmou (como circulou logo que foi empossado) que sua nomeação foi imaginada e concretizada para favorecer o deputado estadual Alessandro Molon.
Este nem existia, suas repetidas aparições na tribuna da Alerj tinham o único objetivo: combater violentamente tanto o governador Cabral quanto o presidente da Alerj, Jorge Picciani. Batia duro mesmo, era um direito dele. Mas inesperadamente passa a tratar “docemente” Cabral e Picciani. A ponto deste repórter ter informado, logicamente como gozação: “Os exemplares do Diário Oficial da Alerj com discursos violentos de Molon se esgotaram”. Agora o que se esgotou foi a paciência do vice Luiz Fernando Pezão.
Logo depois de Pezão “recusar a honra” oferecida pelo governador, este tentou emplacar seu suplente no Senado e chefe da Casa Civil, Regis Fichtner. Mas desistiu logo, no próprio palácio ninguém o conhecia nem sabia sequer pronunciar o seu nome. Só a partir daí, Sérgio examinou possibilidades que pudessem aproximá-lo de forças políticas nacionais que alavancassem seu projeto nacional de 2010.
Surgiu então a complexa ligação com Eduardo Paes, derrotado por ele mesmo para governador. Mas aí a jogada precisaria ser feita em 3 tempos.
1 – Tirar Eduardo Paes do PSDB e colocá-lo no PMDB. Dizia que isso agradaria Aécio Neves, no caso do governador de Minas ter que sair do PSDB.
2 – Aceito trabalhosa e arduamente pelo PMDB fazê-lo “prefeitável” do partido. Difícil, mas quando Eduardo Paes já articulava a campanha foi totalmente abandonado, sem sequer ter sido comunicado.
3 – Tendo a obsessão de agradar o presidente Lula, o governador fez a proposta de acordo PMDB-Molon, só que não tinha e continua não tendo cacife para bancar uma jogada como essa. Veio então a explosão da entrevista de Pezão, que desmoronou todo o esquema de Sérgio Cabral, baseado na VISIBILIDADE e RECIPROCIDADE.
Agora, tendo que enfrentar três convenções (primeiro a estadual, depois a municipal e possivelmente a nacional), Sérgio Cabral perdeu a pouca VISIBILIDADE que lhe restara, e a RECIPROCIDADE virá de onde? Do presidente Lula? Este foi surpreendido com as rápidas mudanças do governador e não gostou muito.
Sérgio Cabral, que é ambicioso mas péssimo analista, admite que o presidente da República tem ajudado muito o estado, e por isso chama Lula de “pai”, um fato surpreendente.
PS – Sérgio Cabral se engana com Lula. Ninguém era mais ligado a ele do que Dirceu, Palocci, Gushiken, Mercadante. Onde estão todos eles?
PS 2 – Os adversários do candidato oficial (quem Cabral “inventará” agora?) estão em festa permanente. É mais um “candidato” que cai, menos um que pode se afirmar.
Análise geral da eleição de prefeito do Rio, a respeito dos que têm “máquina”, quer dizer, ocupam Poder no Rio ou Estado do Rio. São: Cabral, Maia, Picciani e Anthony Mateus.
Nenhum deles decidiu coisa alguma. Sérgio mudou muito de “camisa”, já teve três candidatos, não sabe o que fazer. (Leia página 3).
Picciani é Marcelo Itagiba, se puder. Maia não é ninguém, perde com qualquer um. Mateus não se definiu, mas tem dinheiro e vontade.