Ao contrário do que vem sendo amplamente divulgado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, as mortes violentas não sofreram redução nos dois últimos anos. Reportagem publicada pela Folha de São Paulo, na sua edição do último sábado, revela que, segundo dados do Ministério da Justiça, o índice de homicídios por 100 mil habitantes passou de 40,5 (2005) para 45,1 (2008) no Rio de Janeiro.
Aliás, ao compararmos (esse cotejamento não consta da reportagem) os índices de 2005 com os de 1995 (quando foram registrados 8.438 assassinatos, o maior índice da história do Rio), para uma análise consistente do combate à criminalidade no período de uma década, constatamos que, naquele momento, conseguimos uma redução de 21,5% nos casos de homicídio.
Voltando à matéria da Folha, o Ministério da Justiça, de acordo com o jornal, adotou o critério de contabilizar os casos de assassinatos, latrocínios, lesões seguidas de morte e homicídios decorrentes de confrontos com policiais (autos de resistência).
É lamentável que, enquanto a violência recrudesce em nosso estado, o governador Cabral, numa ação inaceitável que critiquei aqui, estabeleça o gasto de R$ 67 milhões, para 2009, em peças de comunicação produzidas sob a classificação “prestação de contas” e destinadas a tentar convencer a população de que a situação, ao contrário da realidade, melhorou.
Não basta parecer ser sério. É preciso ser sério.