Presidente da comissão destaca avanços contra o descontrole

(Jornal do Brasil) – Instalada há 17 meses para apurar a suspeita de que as mais altas autoridades da República se tornaram alvos frequentes de arapongas, a CPI do Grampo encerra seus trabalhos amanhã promovendo avanços institucionais no combate à espionagem política. Mas o relatório final não terá nenhuma linha que possa esclarecer se a transcrição do diálogo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), publicada no final de agosto do ano passado pela revista Veja, é ou não produto de uma espionagem clandestina. Ainda que não tenha sido concluído, o inquérito da Polícia Federal aponta no mesmo caminho: sem o áudio da conversa – ainda mistério – não é possível dizer que houve grampo.

– O ministro Gilmar e o senador Demóstenes concordam que houve o diálogo, mas há um problema grave, que é a ausência do áudio – diz o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), relator do texto que o plenário da CPI do Grampo deverá votar amanhã.

O relatório toca de leve no assunto, mas não esclarece se a espionagem aconteceu ou não – papel que a CPI deixou à Polícia Federal. Entre os deputados e policiais que investigam o caso começa a ganhar corpo a hipótese de que a transcrição do diálogo também possa ser uma montagem de alguém interessado em causar tumulto num momento em que o país vivia uma crise institucional gerada pelos desdobramentos da Operação Satiagraha.

Se não há prova de que houve o crime, será impossível se chegar à autoria. Há um descompasso entre o que pensam Pellegrino e o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que não tem dúvidas de que Mendes e Torres foram grampeados. Itagiba baseia-se no que declararam o presidente do STF e o senador para firmar sua convicção. Mas eles apenas “acham”.

Os dois deputados divergem também sobre os alvos da CPI. Ao contrário de Pellegrino, Itagiba diz que, em voto separado, vai indiciar os delegados Paulo Lacerda (hoje adido policial em Portugal), Protógenes – os dois por falso testemunho – e o banqueiro Daniel Dantas, por ter contratado a empresa de investigação americana Kroll para espionar o primeiro e o segundo escalões do governo.

– O Protógenes foi mero instrumento do Lacerda – afirma o presidente da CPI.

Segundo Itagiba, o ex-diretor da Abin foi o verdadeiro mentor da Operação Satiagraha, o que deixa o governo numa saia justa num momento em que Protógenes afirma que as investigações em torno do banqueiro eram de interesse do Palácio do Planalto.

O presidente da CPI do Grampo diz que, embora não tenha chegado à autoria das escutas clandestinas, a investigação desnudou o mundo da espionagem, enquadrou órgãos que não tinham autorização para grampear – como a Polícia Rodoviária Federal – e demonstrou a necessidade de os órgãos públicos se organizarem para coibir a banalização do grampo e colocar controles na concessão de autorização e o emprego de equipamentos.

O voto em separado será decidido amanhã, numa nova queda-de-braço entre a oposição e a bancada governista, que quer ver esse caso encerrado logo, mesmo que se tenha de por panos quentes numa denúncia que abalou a credibilidade dos órgãos públicos de segurança e inteligência e levou Mendes, no auge da crise institucional, a suspender uma viagem internacional para comparecer a uma audiência em que pretendia chamar “às falas” o presidente Lula.

Para ler a íntegra da reportagem clique aqui.

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