O facínora que preside o Irã

Na condição de representantes políticos do povo brasileiro, cuja formação nos notabiliza perante o mundo como uma nação de natureza pacífica, que, aliás, por conta dessa característica, soube acolher exemplarmente, no século XX, grandes contingentes de povos de diversos países que abandonaram suas pátrias para fugir dos horrores da guerra, temos, todos nós, deputados e senadores, o dever de repudiar a presença do incendiário presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em nosso país e, em particular, nas sedes do Parlamento Nacional.

Em respeito ao sentimento de paz presente nos corações brasileiros, temos o dever de nos alinhar com o digno comportamento dos representantes das principais democracias do mundo, que durante a Conferência Durban II, no último dia 20 de abril, em Genebra, deram as costas a Ahmadinejad e se retiraram do plenário, em protesto à ignomínia do discurso que fazia, negando a ocorrência do Holocausto, que matou mais de seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial, e propondo, afrontosamente, a extinção do Estado de Israel.

Nossa manifestação de indignação contra todos aqueles que insistem em pregar a violência, a segregação racial e religiosa entre os povos será sempre um bem-vindo gesto de solidariedade ao nosso povo brasileiro e às nações que, em todo o mundo e em várias épocas da história da Humanidade, foram brutalmente violentadas ou dizimadas por ditadores que, hoje, tem na figura de Mahmoud Ahmadinejad a sua principal e mais perigosa representatividade.

O senhor Ahmadinejad representa a preservação de um pensamento arcaico, movido pela ostentação de valores que não cabem mais em nossos dias, como a truculência contra os opositores de seu governo, bem como a repressão àqueles que não comunguem de suas idéias.

Se a Câmara dos Deputados já houvesse aprovado o projeto, de minha autoria, que penaliza aqueles que, com a finalidade de incentivar ou induzir à prática de atos discriminatórios ou de segregação racial, não reconhecem o Holocausto e todos os outros Crimes Contra a Humanidade, teríamos elementos ainda mais fortes para barrar a vinda de representantes Diplomáticos e Chefes de Estado Estrangeiros em cujas mentes malsãs germinam as mais hediondas estratégias contra seres humanos que não se coadunam com as suas ideologias.

As mentiras pregadas que visam negar o genocídio dos judeus, ciganos e homossexuais receberam tipificação penal em países como Alemanha, Áustria, Bélgica, Holanda, Polônia, Espanha, Portugal, Itália e França, que consideram crime a “negação do Holocausto”.
O Parlamento Europeu, como resultado dos trabalhos do Ano Europeu Contra o Racismo, em 1997, baixou Resolução na qual, em face de existirem setores da população com atitudes racistas e xenófobas, propôs que os estados membros passem a classificar como crime a instigação ao ódio racial ou à xenofobia, e outros atos correspondentes, bem como a negação do Holocausto ou delitos contra a humanidade.

Do repúdio do Parlamento Nacional à presença, em nosso país, de um facínora que hoje preside o Irã, deveriam participar todos os Poderes que representam o Estado brasileiro, numa demonstração significativa e inequívoca do nosso respeito às diferenças religiosas e culturais, à democracia e aos direitos humanos.

Discurso dado como lido no plenário da Câmara Federal no dia 28 de abril de 2009

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2 Responses to O facínora que preside o Irã

  1. Marcos Hoffmann says:

    É triste que o governo brasileiro receba este facínora racista chamado Ahmadinejad, que tem a petulância de negar o holocausto. Nos resta repudiar com veemência esse traste.

  2. MANOEL JORGE TAVARES says:

    Parabéns pela iniciativa de seu projeto , o que certamente inibio a vinda deste terrorista travestido de chefe de estado do Brasil.

    O que me deixou mais perplexo e revoltado, e a posição dos partidos de esquerda Brasileiros PC do B, PSOL, PCB e outros, os quais renegaram a questão da violação total dos direitos humanos no Irã, e aparentemente fixaram-se exclusivamente nos “beneficios ecônomicos” que a viajem deste ditador e seu sequito propiciaria ao Brasil, o que vem a ser uma verdadeira vergonha.

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