Caos nos transportes

Qualquer iniciativa destinada a resgatar a qualidade de vida perdida no Rio não terá grande efeito prático se não houver um sério planejamento de ações e investimentos que modernizem o que mais afeta o cotidiano do carioca: o caos do sistema de transporte coletivo.

Não há qualidade de vida para o trabalhador que perde até quatro horas do seu dia para ir e voltar do trabalho e gasta parte considerável do seu salário em passagens.

O governo do estado tem que priorizar a organização do transporte de massas – trens, metrôs, ônibus e, inclusive, as vans. E tem que investir na integração de todos eles e na adoção do bilhete único – implantado com sucesso em São Paulo há cinco anos – para diminuir o custo das passagens e tornar as viagens mais rápidas.

Bilhete único sem a interligação efetiva dos diferentes meios de transporte não resolverá o problema. É preciso racionalizar a quantidade de linhas, os horários e a capacidade de todos eles. E redistribuir pelas linhas de ônibus ociosas os milhares de passageiros absurdamente espremidos nas que circulam superlotadas. 

A coexistência de linhas ociosas e superlotadas é fruto da falta de fiscalização pelo estado sobre as empresas privadas que dele receberam a concessão para a exploração do serviço e o fazem de modo ineficaz.

A grande quantidade de vans nas ruas decorreu também do vácuo gerado pela incapacidade do estado e das concessionárias. A tentativa, agora, de moralização do sistema caótico está deixando cidadãos a pé e centenas de motoristas de vans sem a ocupação da qual sobreviveram nos últimos anos. É falta de planejamento e de preocupação social.

Artigo de minha autoria publicado hoje no O Dia

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2 Responses to Caos nos transportes

  1. Shwartsmann says:

    Há interesses velados no negócio das vans. Muitos criminosos entraram. Para mim o fenômeno das vans é fomentado pelo desemprego e não pelo caos no transporte. O Rio sempre sobreviveu sem as vans. Pelo contrário: As vans, causadas pelo desemprego, combatem o ajuste das linhas de ônibus através do tempo causando um vácuo entre o exigível e o que está rodando em termos de ônibus. Um ônibus comporta 60 passageiros. Para ocupar o mesmo espaço teríamos quantas vans ? Logo…
    Defender vans é no mínimo estar ligadado a um mecanismo que dá muito lucro e é contraproducente para o transporte de massas.
    Não vejo vans nas cidades desenvolvidas da Europa e dos EUA. Vejo ônibus de dois andares e sanfonados, isto eu vejo.

  2. victor says:

    Claro, nesse episódio o Brasil entrou mesmo de gaiato. Estou plenamente de acordo.
    Não se trata de “presidente deposto”, mas sim de um psicopata que teve a ousadia de desafiar a Suprema Corte de Honduras.
    Se existe caudilho nessa história é o próprio Zelaya, que pretendia, tal qual o esquesito Chaves, se perpetuar no poder.
    Ah, peraí, o presidente interino ñ está fazendo mais do que cumprir a ordem judicial, que não deve ser objeto de discussão, inclusive já com eleições marcadas, democraticamente.
    Sinceramente, existem coisas que não dá para entender, como o nosso Lula , imaginando ser o detentor de todas as verdades, “arma” um esquema para abrigar um cidadão em nossa embaixada, mas com status de presidente. E pior, permitindo ao mesmo que empreenda gestões junto ao povo com objetivos que somente podemos lamentar. Falta muita inteligência aos nossos governantes para o trato de assuntos tão delicados como o que ocorre em Honduras, que tem autonomia própria e que não necessita dos Chaves, Lulas e Ivos Morales para resolver os seus problemas

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