(Correio do Brasil) – O rabino da Associação Religiosa Israelita Sérgio Margulies foi o entrevistado deste domingo do deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), mediador do programa De Olho no Rio, que vai ao ar pela CNT. Desejando um ano bom e doce, Sérgio Margulies falou sobre o Rosh Hashaná, que foi celebrado na passagem do dia 18 para o dia 19 de setembro, comemorando a chegada de mais um ano no calendário judaico.
– Vamos celebrar nesta data, que sejamos inscritos no Livro da Vida, com o compromisso de jamais desistirmos de fazer um mundo melhor a todo a humanidade.
Segundo o calendário judaico, entramos no ano 5.770. Para os judeus, é tempo de refletir e se arrepender dos pecados. No Rosh Hashaná, que comemora o dia em que Deus criou o mundo, entramos com a cabeça, ou seja, pensando. A comemoração do Rosh Hashaná é mais focada na introspecção e na reflexão. Segundo o rabino, é o momento de prestar contas.
O rabino Sergio Margulies e Marcelo Itagiba
O Ano Novo Judaico é um dos feriados mais significativos dos judeus. O rabino explicou que, nas sinagogas, o Rosh Hashaná é comemorado com orações e com o toque do Shofar, um instrumento feito de chifre de carneiro e que avisa sobre a chegada dos “Dias de Arrependimento”, que culminam com Yom Kipur – o Dia do Perdão, dia 28 de setembro.
– Comemoramos a criação do mundo. É um tempo de arrependimento, quando o Shofar é soprado, para despertar os judeus. Funciona como um despertador espiritual. Nesse período o “livro da vida” é aberto e inscreve-se nele as boas e más obras que os homens e as nações realizaram ao longo do ano.
Segundo o rabino Sérgio Margulies, o Rosh Hashaná não é uma data triste, e sim festiva, em que se encerra as refeições com maçãs embebidas em mel – para que o novo ano seja doce. Sérgio Margulies explicou que os dez dias entre o Ano Novo e o Yom Kipur (Dia do Perdão) servem justamente para que cada um pondere suas ações. E o jejum, praticado neste dia, ajuda a elevar o espírito.
– Esta passagem envolve uma profunda meditação sobre o passado, durante a qual se faz um balanço de tudo que passou no ano que ficou para trás, o que se concretizou, o que se deixou de realizar, como se agiu, de que forma se poderia ter atuado, entre várias outras questões existenciais. A partir daí, planeja-se um período melhor no futuro, as pessoas têm a chance de avaliar seus erros e se redimir de seus pecados diante de Deus –, explicou.
O deputado Marcelo Itagiba perguntou sobre a importância da ecologia para os judeus. Sérgio Margulies explicou que a ecologia permeia o judaísmo desde o início. Segundo ele, o Livro Sagrado remete à árvore da vida e o desrepeito à ecologia é “um descaso consigo próprio”.
– Ter fé é colocar filhos no mundo. Por isso, devemos repensar o que fazemos com o mundo. Respeitar a beleza do mundo é respeitar o outro. Devemos olhar ao redor, porque somos todos iguais e apenas inquilinos no mundo e não podemos deteriorar esta beleza –, afirmou. – Vamos comemorar a criação da Humanidade, além de despertar a presença de Deus em nossa vidas – acrescentou.
Lembrando a importância do som puro e genuíno do o shofar, o rabino soprou o instrumento, desejando Shana Tová, ou bom ano e que “ninguém sofra”. O deputado Marcelo Itagiba também falou das esperanças que se renovam na celebração do ano novo e desejou muitas alegrias, paz, saúde, harmonia e “um ano doce e feliz”.
Prezado deputado Marcelo Itagiba,que o senhor tenha um ano de 5770 pleno de realizações e conquistas!