Estatística confiável favorece combate ao crime

(Correio do Brasil) – A segurança pública precisa de estatística confiável. É o que garante a antropóloga e professora Ana Paula Miranda, ex-presidente do Instituto de Segurança Pública, órgão encarregado de monitorar as estatísticas de criminalidade no Estado do Rio de Janeiro. Em entrevista ao deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), no programa De Olho no Rio, deste domingo, pela CNT, Ana Paula foi taxativa:

– O “achismo” custa caro. Precisamos de planejamento adequado –, disse Ana Paula, que falou da importância da estatística criminal no combate à criminalidade.

– A estatística criminal é o resultado dos registros de ocorrência policial. É a contabilidade das ocorrências, servindo para que se faça o mapeamento dos problemas da cidade.

O deputado Marcelo Itagiba, que trabalhou diretamente com Ana Paula, quando era Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, lembrou da necessidade do registro de ocorrência policial, afirmando que as vítimas devem procurar as delegacias, permitindo que a polícia identifique a dinâmica do crime.

– O trabalho de inteligência policial é feito com base no levantamento do número de ocorrências e das regiões onde os crimes aconteceram, além da dinâmica do crime –, explicou Ana Paula, acrescentando que é fundamental que o registro esteja bem preenchido, com todos os detalhes. Segundo a antropóloga, a interação com a comunidade é também muito importante.

Ana Paula Miranda e Marcelo Itagiba

Ana Paula Miranda e Marcelo Itagiba

Ela contou que realizou um trabalho com os Conselhos Comunitários de Segurança, visando a aproximação da população com a polícia.

– A população tinha receio e a nossa ideia era quebrar o medo. Fizemos fóruns de discussão com 40 conselhos, o que permitiu que a população chegasse até a polícia. Foi um trabalho de troca, de parceira para melhorar o policiamento nas regiões –, disse.

Marcelo Itagiba comentou que o roubo à transeunte aumentou no Estado e Ana Paula lembrou que a tendência era de aumento nos roubos chamados “de rua”.

– Em 2004, em algumas áreas, como Niterói, a tendência era de estabilidade. Atualmente, esse crime cresceu no interior. Quanto aos homicídios, observa-se, com base nos dados do primeiro semestre, que houve aumento considerável no Estado inteiro –, disse ela.

O deputado Marcelo Itagiba citou o projeto iniciciado em 2000, que levou a polícia para a universidade. Ana Paula contou que inicialmente o projeto era um curso de extensão para a Polícia Militar, que foi ampliado aos delegados da Polícia Civil e transformado em cursos de especialização em políticas públicas, com duração de 1 ano.

A antropóloga presenteou o deputado Marcelo Itagiba com o livro “Políticas Públicas de Segurança: informação e análise criminal”, que reúne as monografias dos policiais com temas de conflitos do cotidiano, como violência doméstica, conflito no espaço urbano e sistema penitenciário.

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