(Correio do Brasil) – Na véspera da chegada ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que nega o Holocausto, o deputado Federal Marcelo Itagiba entrevistou o produtor do documentário Marcha da Vida, que retrata o trajeto pelos campos de concentração, LG Tubaldini Jr, o Tuba, no programa De Olho no Rio, exibido neste domingo pela CNT.
– O filme é um documentário que acompanha grupos de jovens judeus de mais de 20 países, como Brasil, EUA, Alemanha, Polônia, e Israel na experiência da Marcha da Morte, no trajeto pelos campos de concentração de Varsóvia até Auschwitz-Birkenau. Esses jovens refazem o mesmo percurso feito por vítimas da Segunda Guerra Mundial –, explicou Tuba.
O filme, de acordo com Tuba, faz uma leitura jovem da guerra.
– O documentário revela o que pensa a juventude que herdou esta experiência, como assimila o que ocorreu e como celebra a vida, sem esquecer o passado terrível por que passaram seus parentes. Conhecemos uma jovem de São Paulo que encontrou o nome de um parente na lista das vítimas –, disse ele.
O produtor Tubaldini Jr. e Marcelo Itagiba
Segundo o produtor paulista de 34 anos, “os jovens, antes da viagem, têm apenas o registro histórico do nazismo e acabam fazendo uma conexão real, vivenciando o absurdo que aconteceu há apenas 60 anos”.
Perguntado sobre o que mais o impressionou, Tuba foi categórico, apontando o campo de Majdanek, que não foi destruído pelos alemães no final da guerra: – Essse campo poderia funcionar amanhã. É possível entrar na câmara de gás, no crematório e ver os fornos. É algo transformador –, avaliou ele.
Tuba contou que a Marcha da Morte começou há quase 20 anos, em 1988, quando sobreviventes do Holocausto resolveram pegar pela mão seus jovens descendentes e percorrer com eles a trilha da morte que vai de Varsóvia, na Polônia, até Auschwitz-Birkenau, na Cracóvia, passando por campos da morte como Treblinka, Majdanek, até chegar a Israel. Todo ano cerca de 400 jovens brasileiros participam da Marcha.
Segundo Tuba, o filme, que é uma co-produção da Filmland International e Conspiração Filmes, mostra as duas etapas da viagem, inclusive a chegada a Israel, “que é o porto seguro da comunidade judaica”. Advogado por formação e de origem judia, o produtor explicou que a ideia é não permitir que as pessoas esqueçam o que aconteceu e que “possamos celebrar a vida”.
– É crucial que as pessoas não esqueçam o que aconteceu. Os últimos sobreviventes do Holocausto estão perecendo, por isso é importante conectar os jovens com esta história da civilização. E este é um tema que interessa a todos pelo caráter histórico e humano –, declarou.
Dirigido pela norte-americana, Jessica Sanders, que concorreu ao Oscar de melhor curta em 2002 por Sing e foi premiada em Sundance 2005, com o documentário After Innocence, o filme, que tem duração de 1h30, deve ser lançado em março de 2010.
– Através da narração de um sobrevivente e das entrevistas com os jovens, o filme traz as vivências humanas que nos transportam para a esfera pessoal de quem atravessou um período sem precedentes.
O deputado Marcelo Itagiba parabenizou o produtor pela iniciativa do filme, lembrando que “Holocausto nunca mais”.