Família Gracie é sinônimo de jiu-jítsu no mundo inteiro

(Correio do Brasil) – A artista plástica e escritora Reila Gracie foi a entrevistada deste domingo do deputado Macerlo Itagiba, no programa De Olho no Rio, exibido pela CNT. Reila contou histórias deliciosas da família que é sinônimo de jiu-jítsu no mundo inteiro.

Filha de Carlos e mãe de Roger, campeão mundial de Jiu-Jitsu, Reila passou mais de cinco anos pesquisando e estudando a vida de seu pai para escrever a biografia “Carlos Gracie: O criador de uma dinastia”, da Editora Record.

– O livro é mais do que a biografia do meu pai, que morreu em 1994, aos 92 anos. A obra traz a história da minha família. Os protagonistas de quase um século de história são os campeões da família Gracie –, disse ela.

Reila Gracie e Marcelo Itagiba

Reila Gracie e Marcelo Itagiba

Uma filosofia de vida foi rascunhada por Carlos Gracie, um dos patriarcas que, ao lado do irmão Hélio, tornaram-se lendas para os apreciadores de artes marciais. Carlos, entre muitos outros feitos, criou a dieta Gracie, que se baseia na correta combinação dos alimentos.

– O meu pai era uma figura fortíssima e também muito dócil. Ele sempre exerceu uma influência sobre todos nós. Senti a necessidade de registrar isso – explica.

Reila contou que, no Pará, onde vivia com a família, Carlos descobriu, aos 14 anos, os segredos do jiu-jítsu com o mestre japonês Conde Koma e fez da milenar e quase esquecida luta seu meio de vida e o fio condutor de uma saga secular

De acordo com Reila, o pai apaixonou-se pelo Jiu-Jitsu, mas não tinha idéia do rumo que a sua vida e as de seus descendentes iriam tomar.

Das brincadeiras com os irmãos às aulas ministradas em troca de salário, Carlos construiu uma profissão familiar tão sólida que seus conhecimentos evoluíram a ponto de marcar um estilo. Hoje, o Jiu-Jitsu brasileiro é uma modalidade reconhecida internacionalmente, ensinada em academias espalhadas pelos Estados Unidos, Canadá, Europa, Japão e pelos Emirados Árabes.

Reila disse que foi um desafio remexer nas lembranças dos tios, sobrinhos, primos e amigos, falar sobre assuntos polêmicos, revelando histórias que só poderiam ser contadas por alguém capaz de encarar cada episódio com a naturalidade de quem viveu tudo de perto.

Segundo Reila, o pai, que tinha estrutura física desvantajosa para combates corporais, encontrou no Jiu-Jitsu um meio de obter auto-estima e realização.

– Meu pai e meus tios eram homens franzinos, com aparência frágil, mas eram determinados. Meu pai queria provar que as pessoas podiam se defender nas ruas. O marketing foi todo feito em cima da luta pessoal –, disse.

Carlos mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos, estabelecendo-se como professor dessa arte marcial, dando aulas, inclusive, para os irmãos. A partir daí, correu todo o Brasil para ministrar aulas e principalmente para desafiar lutadores famosos e com isso provar a superioridade do Jiu-Jitsu.

A primeira Academia Gracie de Jiu-Jitsu foi aberta em 1925. Disposto a consagrar a luta em todo o país, Carlos iniciou a tradição dos desafios Gracie,  eventos nos quais ele convidava para combates os mais possantes lutadores da época, sempre no intuito de atrair a mídia e formar uma tradição familiar de grandes lutadores.

– Escrever o livro foi como abrir o baú familiar. Uma biografia tem que ter verdade, e eu quis mostrar as contradições, as conquistas e derrotas. Quis revelar o processo de construção –, afirmou.

Marcelo Itagiba e Reila relembraram histórias do tempo em que o deputado também praticava Jiu-Jitsu e convivia com a família Gracie.

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One Response to Família Gracie é sinônimo de jiu-jítsu no mundo inteiro

  1. João Moreira says:

    A família Gracie merecia realmente um livro que contasse a trajetória dos inventores do brazilian jiu-jitsu.

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