Arnaldo Niskier defende valorização do professor

(Correio do Brasil) – Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) há 25 anos, o professor, jornalista e escritor Arnaldo Niskier, terceiro mais antigo dos imortais que hoje ocupam as cadeiras da casa da literatura fundada pelo escritor Machado de Assis, foi entrevistado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) no programa De Olho no Rio, levado ao ar no último domingo pela CNT.

Nascido em Pilares, subúrbio do Rio, Arnaldo Niskier contou que, para superar a pobreza, sempre estudou muito para ser o primeiro da turma.

- Estudei quase que a vida inteira em escola pública, fui professor particular de matemática aos 15 anos e a condição de aluno nº 1 das turmas pelas quais passei me propiciou desconto nas mensalidades quando estudei em instituições de ensino privado – relatou o imortal.

O imortal Arnaldo Niskier e Marcelo Itagiba

Ex-secretário de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro nos governos de Chagas Freitas, Negrão de Lima e Rosinha Garotinho, Niskier defendeu a valorização do professor como principal medida para melhorar o ensino brasileiro.

- No meu primeiro mandato como secretário de Estado, inaugurei 88 escolas e conheci todos os municípios do Rio de Janeiro. A educação brasileira precisa de uma política de recursos humanos, pois a chave da qualidade do ensino está no professor, que tem que ser bem remunerado – afirmou ele.


Arnaldo Niskier, que começou trabalhando no Jornal dos Sports, disse que o maior estimulador do seu ingresso na ABL foi o falecido jornalista Raimundo Magalhães Júnior, pai da carnavalesca Rosa Magalhães e redator da Manchete, veículo no qual o imortal trabalhou por 37 anos.

A respeito da convivência com os grandes escritores do país, Niskier destacou que, numa conversa com Jorge Amado, o artista baiano lhe revelara a sua origem semita.

- É admirável o convívio e a aprendizagem, mas ninguém pode entrar na Academia achando que sabe tudo. É preciso ser humilde para ter a oportunidade de aprender com os demais – ensinou o professor Niskier.

A respeito do acordo ortográfico assinado pelos países de língua portuguesa, o entrevistado minimizou as críticas às alterações impostas.

- Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que há um interesse muito grande pelo aperfeiçoamento da língua portuguesa. Em segundo lugar, é preciso ressaltar que pouca coisa mudou com o acordo, que, na verdade, estabeleceu alterações em somente cerca de 3% dos 400 mil verbetes que integram a nossa língua – explicou Niskier.

Ao mesmo tempo, ele lembrou que o Brasil nunca tomou a iniciativa de promover os acordos ortográficos.

- As reformas mais importantes, desde o século passado, sempre partiram originariamente de Portugal.

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