João Alberto Barreto: discípulo de Helio Gracie que nunca perdeu um vale-tudo

(Correio do Brasil) – Mestre em jiu-jítsu e em Psicologia, discípulo de Hélio Gracie e autor de vários livros, o professor João Alberto Barreto, que ficou famoso por nunca ter perdido uma competição de vale-tudo, falou em entrevista ao deputado federal Marcelo Itagiba, domingo, no programa De Olho no Rio, na CNT, sobre a relação entre a luta e o estudo científico na sua vida.

– A relação entre o campo esportivo e a psicologia veio com tempo, durante os estudos sobre mudanças de comportamentos – afirmou João Alberto Barreto, que disse ter se apaixonado pelo jiu-jítsu aos 15 anos, ao assistir uma exibição do mestre Hélio Gracie no ginásio do colégio de propriedade do seu pai, no Rio de Janeiro.

O professor João Alberto Barreto e Marcelo Itagiba

João Alberto afirmou que, após presenciar a irrepreensível atuação de Hélio Gracie, começou imediatamente a treinar e, seis meses depois, já estava lutando e dando início à consagração de jamais ter sido derrotado num vale-tudo.

- Hélio Gracie foi o meu segundo pai e o jiu-jítsu, um instrumento educativo muito importante para mim, tendo inclusive curado uma gagueira que eu tinha quando garoto e que já avançava pela adolescência – relembrou ele.
Além da combinação luta-estudo, João Alberto Barreto revelou que a sua formação também sofreu forte influência do período que passou pelo Colégio Militar.

- Lá, aprendi a reconhecer o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como fim –, resumiu o mestre.

De acordo com ele, a combinação entre esporte e psicologia se efetivou quando, no meio da década de 70, o juiz Francisco Horta, que assumira a Presidência do Fluminense Futebol Clube e cujo irmão fora seu aluno de jiu-jítsu, o convidou para trabalhar com a comissão técnica da equipe que ficou conhecida como “A Máquina Tricolor”, bicampeã carioca nos anos de 1975 e 1976.

- Foi uma decisão renovadora, pois, naquela época, ainda achava-se que a psicologia tratava de malucos, quando, na verdade, ela dá ao homem e ao atleta condições de desenvolver suas capacidades, superando os obstáculos, como o estresse – esclareceu João Alberto Barreto.

Segundo ele, a influência entre esporte e formação acadêmica foi mútua.
- O jiu-jítsu ajudou muito na minha formação de psicólogo porque Hélio Gracie era um psicólogo intuitivo, que tinha todos os princípios filosóficos, sem ter lido os filósofos – reconheceu Barreto.

Integrante do International Jiu-Jítsu Association, João Alberto Barreto explicou o porquê de fazer parte da entidade recém-criada.

- O objetivo é tornar o jiu-jítsu uma modalidade olímpica – revelou.

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