(Correio do Brasil) – A artista plástica Bettina Vaz Guimarães, que retrata em tinta acrílica sobre tela os objetos de uso cotidiano, como bules, cinzeiros e garrafas, num estilo que classificado como natureza morta contemporânea, foi entrevistada no programa De Olho no Rio, pelo deputado Marcelo Itagiba, neste domingo pela CNT.
– Trabalho sempre com objetos do dia-a-dia, a partir de um pensamento em colagens que transponho para a tela em vários planos – explicou Bettina Guimarães, que revelou traçar as ideias iniciais desenhando no papel, antes de levá-las ao quadro.
Segundo ela, nem sempre o artista, no momento da criação, busca imprimir beleza à obra.
– Quando estamos produzindo, o objetivo não é necessariamente mostrar o belo, mas sim uma expressão – afirmou Bettina, que nos últimos seis anos fez várias exposições individuais e diversas coletivas, como a da Bienal em Portugal, em 2009.
Mas a maior consagração da artista plástica veio no final do ano passado, ao participar da VI Bienal Internacional de Arte (SIArt), que durou um mês e foi encerrada no dia 14 de novembro, em La Paz, na Bolívia. Ela ganhou o Prêmio Van Gogh de pintura com a obra Sem título, uma das três inscritas pela artista no concurso.
Bettina, que gosta registrar suas ideias em quadros grandes, criou Sem título numa tela de 2,10 m x 5,35m.
Na opinião de Katia Canton, PhD em Artes Interdisciplinares pela New York University e professora-associada do Museu de Arte Contemporânea da USP, a obra de Bettina Vaz Guimarães é descendente direta da natureza-morta.
O movimento artístico surgiu entre os séculos 16 e 17, particularmente na Holanda, com cenas criadas por artistas envolvendo mesas postas, alimentos, frutas e flores, objetos.
– A obra dela toma corpo, desde o início dos anos 2000, numa apresentação de imagens afins, como objetos de cozinha, vidros de perfume, detalhes de bicos e roscas pertencentes a bules, garrafas e potes, que são normalmente relegados a meros detalhes da existência e ganham uma dimensão inédita no trabalho de Bettina – afirmou Katia Canton.
Dentre as individuais feitas em sua carreira, Bettina Guimarães expôs no Espaço Cultural Furnas, no Rio de Janeiro, no Programa de Exposições Espaços Funarte de Artes Visuais São Paulo e na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife (PE).
Ela também já conquistou os prêmios Salão de Artes Plásticas de Amparo (2002), Salão de Artes Visuais de Vinhedo (2003), II Território da Arte de Araraquara e no Museu de Arte Contemporânea de Campinas (2004), no 37º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (SP) e no 17º Salão de Artes Plásticas da Praia Grande (SP), estes dois em 2005.
