O jornal Extra publica reportagem, em sua edição de hoje, informando que houve redução de prisões e de apreensões de armas e, ao mesmo tempo, aumento (33%) dos autos de resistência (mortes em confronto com a polícia) no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, em cujo primeiro trimestre eu ainda ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. O Extra noticia que, de acordo com as estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP), o total de prisões (9.051) e de armas apreendidas (6.768) registrado nos primeiros seis meses de 2006 foi reduzido para 6.837 prisões e 5.799 armas apreendidas este ano. O jornal registra o meu comentário: “Não vejo melhora nos índices. Tínhamos uma política de desarticular os ´cabeças` das quadrilhas. Quantos líderes do tráfico foram presos?” Leia no post abaixo, publicado sob o título “Não há sucesso em operação com mortes de policiais ou inocentes“, a íntegra das minhas posições sobre política de segurança pública que defendi em debate na CBN, com o jornalista Heródoto Barbeiro, na manhã de ontem.
Arquivo da Categoria ‘Ações conjuntas’
Não vejo melhora nos índices
sábado, 20 de outubro de 2007Não há sucesso em operação com mortes de policiais ou inocentes
sexta-feira, 19 de outubro de 2007Participei de um debate no programa do Heródoto Barbeiro, na Rádio CBN, na manhã desta sexta-feira (dia 19), sobre a operação policial na Favela da Coréia, em Senador Câmara, que resultou na morte de dez traficantes, um policial e uma criança de quatro anos. Defendi o uso da inteligência em ações desse tipo, para que não haja riscos para os policiais e as pessoas inocentes que residem em comunidades dominadas pelo narcotráfico; e reafirmei a minha convicção de que as Forças Armadas podem e devem participar dessas ações com as polícias. Critiquei a omissão do Ministério da Defesa e da Secretaria Nacional de Segurança Pública, em razão da fragilidade da proteção às nossas fronteiras, pelas quais entram as armas e drogas, e também o fato de que o Exército, a Aeronáutica e a Marinha são forças capazes de participar do combate ao narcotráfico, mas não são empregadas nessas ações.
Todos contra o crime
domingo, 10 de setembro de 2006A grande apreensão esta semana, no Paraguai, de mais de 600 armas que teriam como destino o Brasil é mais uma demonstração da necessidade de que a segurança pública se torne uma prioridade nacional, o mais rápido possível. As organizações criminosas agem como milícias armadas que aterrorizam a população, atacam os poderes constituídos e desafiam o Estado. Ao longo dos anos, o crime estendeu seus tentáculos e criou ramificações por todo o país, traficando drogas, lavando dinheiro, cometendo assassinatos e outras modalidades de crime. Os estados e o governo federal precisam agir juntos contra essa ameaça. Temos que encurralar os bandidos, prendê-los e, empregando todos os recursos da área de inteligência policial, quebrar a sua espinha dorsal, que é a lavagem de dinheiro obtido de forma criminosa.
Tenho dito e repito: isoladamente, as ações das polícias estaduais não surtirão os efeitos esperados. Nos últimos três anos, somente os policiais do Rio de Janeiro retiraram de circulação os 80 chefões do tráfico, fizeram mais de 64 mil prisões e apreenderam nas mâos dos bandidos 45 mil armas.
A violência está em todas as regiões do país
domingo, 3 de setembro de 2006As opiniões reunidas no caderno especial publicado hoje no Globo, a respeito do conjunto de medidas que devem ser tomadas para que a criminalidade nacional seja efetivamente combatida, confirmam o que venho falando exaustivamente nos últimos anos. As medidas não podem ser isoladas. O problema da criminalidade, que se alastra por todo o país, exige, em primeiro lugar, que a segurança pública se torne prioridade nacional. Para isso, precisamos de um Ministério da Segurança Pública e, também, que a Constituição Federal estabeleça um percentutal obrigatório de investimentos na área de segurança, como já existe para a saúde e a educação.
Emprego das Forças Armadas
sábado, 19 de agosto de 2006No Rio de Janeiro, a Secretaria de Segurança Pública e o Comando Militar do Leste do Exército brasileiro realizaram várias operações conjuntas voltadas especificamente para a recuperação de armas roubadas de quartéis, sem que, de forma alguma, a presença dos militares tivesse um viés intervencionista. Ou seja, as ações conjuntas desencadeadas com êxito no Rio são uma demonstração irrefutável de que todos que têm co-responsabilidade pela garantia da ordem pública podem e devem cumprir com as suas missões constitucionais. Como peça fundamental da engrenagem nacional de segurança pública – de cuja estrutura fazem parte a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as Polícias Civil e Militar – o Exército, a Marinha e a Aeronáutica podem realizar muito mais do que aquilo que, por si só, já seria um feito histórico: o efetivo controle da entrada de armas, munições e drogas que passam pelas fronteiras do Brasil e chegam às mãos dos criminosos que concentram seus negócios, principalmente, nas áreas urbanas de maior densidade demográfica.