(Revista Brasil Atual) – As chapas ainda estão sendo desenhadas, mas as eleições do próximo ano, no que diz respeito ao Congresso, devem ser marcadas pelos candidatos ligados às operações policiais. Na legislatura anterior, os destaques foram figuras do meio artístico como o estilista Clodovil Hernandez, que se elegeu deputado federal pelo PTC com a terceira maior votação em São Paulo (493.951), e o cantor Frank Aguiar, que angariou 144.797 votos pelo PTB.
Agora, a exposição midiática das operações da Polícia Federal rende dividendos políticos àquelas figuras que conseguiram aparecer frente às câmeras. O caso notório é de Protógenes Queiroz, que comandou a polêmica Operação Satiagraha, investigação que teve como alvo as contas do banqueiro Daniel Dantas. Suspenso de suas atividades e com possibilidade de ser expulso da corporação por supostas irregularidades na condução do caso, o delegado hesitou durante meses sobre qual partido ingressar, até aderir ao PC do B no início de setembro.
Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal, o agente Cláudio Avelar deve postular candidatura a deputado também pelo PC do B. José Pinto de Luna, ex-superintendente da Polícia Federal em Alagoas, assinou nesta sexta-feira (11) com o PT tendo a incumbência de melhorar a presença do partido no estado – atualmente, a sigla tem apenas dois deputados na Assembleia Legislativa e jamais conseguiu mandar alguém para Brasília. Luna, famoso pela Operação Taturana, que levou presos alguns dos parlamentares do estado, pode concorrer a uma vaga no Senado contra Renan Calheiros (PMDB) e Heloísa Helena (PSOL).
Leonardo Barreto, cientista político da Universidade de Brasília, não tem dúvidas de que esses candidatos largam com duas vantagens: são mais conhecidos e têm a imagem pessoal associada à honestidade. Ele destaca que as candidaturas nascem da grande presença midiática com a qual contaram os integrantes da Polícia Federal nos últimos anos, “e essa exposição pública por sua vez deriva de um fenômeno que é novo, de certa maneira, que é a investigação e a prisão de autoridades”.
Walter Sorrentino, secretário de Organização do PC do B, considera que há uma explicação complementar, que é o que ele define como “retomada de horizontes” no Brasil durante o governo Lula. “Mostrou que o país pode muito. Acho que um período assim desperta num segmento muito mais vasto do povo a intenção de participar da vida pública”, pondera.
Defensora da candidatura de Cláudio Avelar, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) não demonstra a mesma satisfação com a campanha de Protógenes Queiroz. O presidente da Fenapef, Marcos Wink, pensa que o êxito das operações da Polícia Federal tem sido atribuído exclusivamente ao chefe das ações, “que às vezes é a pessoa que menos trabalhou na operação. Tem que aparecer a instituição, não a pessoa”.
Dizendo-se otimista com a possibilidade de que mais agentes da Polícia Federal ganhem posições no Congresso, o deputado Marcelo Itagiba, ex-diretor de Inteligência da PF, entende que cabe à própria instituição a apuração por eventuais abusos cometidos por Protógenes e defende punições. “Pelo que ficou apurado, cometeu abusos e excessos que a lei não lhe autorizava a cometer, e não podemos viver de que os fins justificam os meios empregados”, afirma.





