Arquivo da Categoria ‘CPI do Grampo’

Após artistas em 2006, policiais federais tentam Congresso em 2010

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

(Revista Brasil Atual) –  As chapas ainda estão sendo desenhadas, mas as eleições do próximo ano, no que diz respeito ao Congresso, devem ser marcadas pelos candidatos ligados às operações policiais. Na legislatura anterior, os destaques foram figuras do meio artístico como o estilista Clodovil Hernandez, que se elegeu deputado federal pelo PTC com a terceira maior votação em São Paulo (493.951), e o cantor Frank Aguiar, que angariou 144.797 votos pelo PTB.

Agora, a exposição midiática das operações da Polícia Federal rende dividendos políticos àquelas figuras que conseguiram aparecer frente às câmeras. O caso notório é de Protógenes Queiroz, que comandou a polêmica Operação Satiagraha, investigação que teve como alvo as contas do banqueiro Daniel Dantas. Suspenso de suas atividades e com possibilidade de ser expulso da corporação por supostas irregularidades na condução do caso, o delegado hesitou durante meses sobre qual partido ingressar, até aderir ao PC do B no início de setembro.

Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal, o agente Cláudio Avelar deve postular candidatura a deputado também pelo PC do B. José Pinto de Luna, ex-superintendente da Polícia Federal em Alagoas, assinou nesta sexta-feira (11) com o PT tendo a incumbência de melhorar a presença do partido no estado – atualmente, a sigla tem apenas dois deputados na Assembleia Legislativa e jamais conseguiu mandar alguém para Brasília. Luna, famoso pela Operação Taturana, que levou presos alguns dos parlamentares do estado, pode concorrer a uma vaga no Senado contra Renan Calheiros (PMDB) e Heloísa Helena (PSOL).

Leonardo Barreto, cientista político da Universidade de Brasília, não tem dúvidas de que esses candidatos largam com duas vantagens: são mais conhecidos e têm a imagem pessoal associada à honestidade. Ele destaca que as candidaturas nascem da grande presença midiática com a qual contaram os integrantes da Polícia Federal nos últimos anos, “e essa exposição pública por sua vez deriva de um fenômeno que é novo, de certa maneira, que é a investigação e a prisão de autoridades”.

Walter Sorrentino, secretário de Organização do PC do B, considera que há uma explicação complementar, que é o que ele define como “retomada de horizontes” no Brasil durante o governo Lula. “Mostrou que o país pode muito. Acho que um período assim desperta num segmento muito mais vasto do povo a intenção de participar da vida pública”, pondera.

Defensora da candidatura de Cláudio Avelar, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) não demonstra a mesma satisfação com a campanha de Protógenes Queiroz. O presidente da Fenapef, Marcos Wink, pensa que o êxito das operações da Polícia Federal tem sido atribuído exclusivamente ao chefe das ações, “que às vezes é a pessoa que menos trabalhou na operação. Tem que aparecer a instituição, não a pessoa”.

Dizendo-se otimista com a possibilidade de que mais agentes da Polícia Federal ganhem posições no Congresso, o deputado Marcelo Itagiba, ex-diretor de Inteligência da PF, entende que cabe à própria instituição a apuração por eventuais abusos cometidos por Protógenes e defende punições. “Pelo que ficou apurado, cometeu abusos e excessos que a lei não lhe autorizava a cometer, e não podemos viver de que os fins justificam os meios empregados”, afirma.

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Blitz

domingo, 13 de setembro de 2009

(Painel, Folha de S. Paulo) – A Corregedoria do Ministério Público abriu sete processos para investigar a conduta de promotores citados no relatório final da CPI dos Grampos, que funcionou na Câmara. São quatro relativos a membros do Ministério Público Federal e os demais referentes a SP, RJ e DF.

Membros do MPF-SP serão investigados por grampos

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

(Consultor Jurídico) – O corregedor nacional do Ministério Público, conselheiro Sandro Neis, determinou a instauração de sete reclamações disciplinares para apurar fatos envolvendo membros do Ministério Público Federal em São Paulo citados no relatório final da CPI das Interceptações Telefônicas.

O relatório da CPI pede o exame dos procedimentos de investigação do Ministério Público Federal de São Paulo em diversos casos de interceptações telefônicas que integram a comissão. O relatório ainda pede apreciação das condutas de membros dos Ministérios Estaduais por conta de escutas sem autorização judicial pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em alguns dos casos investigados.

A decisão da Corregedoria Nacional de abrir procedimento para apurar possíveis faltas funcionais de membros do MP teve por base a análise do material enviado pela Câmara ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). De acordo com a avaliação do corregedor nacional, diante dos indícios de cometimento de faltas funcionais, “cumpre averiguar se houve omissão do MP na adoção de providências investigativas de suposta prática criminosa ou se teria o membro do Ministério Público adotado procedimento que, transbordando a autorização legal para restrição do direito constitucional de reserva de comunicações telefônicas, resultou em falta funcional”.

A conduta dos membros do MP no que diz respeito às interceptações telefônicas já havia sido objeto de preocupação dos conselheiros do CNMP. Em abril de 2009, o Plenário aprovou a Resolução CNMP 36/2009, que disciplina o pedido e a utilização das interceptações telefônicas, no âmbito do Ministério Público. Também tramita na Corregedoria Nacional  procedimento administrativo  destinado a acompanhar o cumprimento da Resolução 36 pelas unidades do MP.

Grampos na mira

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

(Informe do Dia) – O Conselho Nacional de Justiça informou ao deputado Marcelo Itagiba, da CPI dos Grampos: a Justiça do Rio terá que investigar o alto número de escutas autorizadas pela vara criminal de Itaguaí.

Em defesa das CPIs

sexta-feira, 29 de maio de 2009

(Melchíades Filho – Folha de S. Paulo) – O bombardeio que procura desqualificar as CPIs acaba por ajudar um governo que desdenha do Legislativo e, entre outros vícios, peca pela soberba – confia que será situação para sempre.

As CPIs são um importante fórum de debate, talvez o único de que hoje dispõem o Congresso e a oposição para se contrapor ao arsenal propagandístico do Executivo.

Fossem as comissões tão inúteis, despropositadas ou mero palanque para políticos decadentes – versões que aquela mesma máquina de propaganda difunde -, não seriam feitas tantas reuniões de emergência com o intuito de barrá-las nem manobras tão acintosas para garantir integrantes de confiança. Elas murchariam sozinhas, não?

Erra, também, quem afirma que as CPIs sempre acabam em pizza. Mesmo as mais contestadas ou folclóricas têm dado contribuições.

Instalada por causa da crise nervosa de Ronaldo Fenômeno na Copa de 1998 (!!!), a CPI da Nike acuou os cartolas a tal ponto que galvanizou o fim do passe, a criação de um estatuto de direitos do torcedor e a adoção de uma fórmula justa (e permanente) para o principal campeonato nacional. Incipiente? Só para quem não vive o futebol.

Sem a CPI do Apagão, a Anac estaria ainda mais à mercê do duopólio aéreo. O recente e tão aplaudido “rapa” de apaniguados políticos na Infraero não teria sido possível.

A CPI dos Grampos? Revelou o mercado paralelo de escutas, expôs a falta de rigor técnico e de controle institucional de trabalhos da PF e colocou o Judiciário na berlinda.

Quanto à Petrobras, a CPI prestará um enorme favor, inclusive ao governo federal, caso jogue luz sobre os grandes contratos e o modelo de negócios do petróleo – o Planalto está entre os que se queixam da falta de transparência da estatal.

E, ainda que sucumba ao sabido despreparo (ou à inapetência) dos senadores, a comissão já diminuiu a chance de uso eleitoral da empresa no ano que vem. Não é pouco.

Escutas: CNJ mira sentenças de Itaguaí

quarta-feira, 27 de maio de 2009

(Informe JB) – Depois de punir, numa decisão inédita, um juiz pelo excesso de autorizações judiciais para escutas, o Conselho Nacional de Justiça, baseado no relatório da CPI do Grampo, mira a pequena Itaguaí, no Rio. Na Comarca, só em 2007, foram ordenadas 1.030 escutas para números da Oi/Telemar, 243 da Brasil Telecom e 874 da Claro.

Um número muito acima do normal, levando-se em conta o tamanho da cidade de 80 mil habitantes – e os grampos não necessariamente foram feitos ali. Um juiz da cidade está na mira do CNJ. Ontem, o Conselho abriu a temporada de punições por descumprimento da lei que regula os grampos (9.296/96), com a remoção do juiz Carlos Adel Teixeira de Souza, da 12ª Vara Criminal de Natal (RN), para uma vara cível no interior do estado. De 2003 a 2007, ele autorizou 1.864 interceptações.

O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da recém-finada CPI, comemorou: “O CNJ corroborou a importância da CPI, que apurou e denunciou abusos praticados por autoridades públicas na concessão, no uso e na banalização das interceptações telefônicas no país”.

CPI dos Grampos rejeita mudanças no relatório e conclui trabalho

terça-feira, 12 de maio de 2009

(G1, em Brasília, às 16h48) –  A CPI dos Grampos rejeitou nesta terça-feira (12) fazer alterações no relatório final e concluiu o seu trabalho. Prevaleceu como texto final da comissão o relatório assinado por Iriny Lopes (PT-ES), que substituiu Nelson Pellegrino (PT-BA) na função. A CPI teve início em dezembro de 2007.

No relatório final foi pedido o indiciamento do banqueiro Daniel Dantas por interceptação telefônica. Foram poupados pela relatora o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz e o ex-diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, que foram acusados por supostas irregularidades na Operação Satiagraha. Além de Dantas, outras quatro pessoas tiveram indiciamento pedido.

Na sessão desta tarde, a CPI tinha que decidir apenas sobre destaques apresentados pelo deputado Laerte Bessa (PMDB-DF), uma vez que o texto de Iriny Lopes já tinha sido aprovado na semana passada. Bessa pedia a retirada de alguns dos pedidos de indiciamento que ficaram no texto final.

O primeiro destes destaques pedia a retirada do pedido de indiciamento do sargento da Aeronáutica Idalberto Martins de Araújo, acusado de vazamento de informações das Operações Navalha e Furacão da Polícia Federal. A CPI decidiu manter o pedido de indiciamento no texto por nove votos a quatro. Após a derrota, Bessa abriu mão de tentar fazer mais mudanças no trabalho final.

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Foto: Saulo Cruz/Agência Câmara

As fugas da CPI

domingo, 10 de maio de 2009

(Janio de Freitas – Folha de S. Paulo) – Os 17 meses de existência da CPI das Escutas Telefônicas, que agora chega ao final com um relatório deplorável, dividem-se em duas fases que formam, por sua vez, dois conjuntos de evidências igualmente deploráveis.

Enquanto se dedicou ao difícil objetivo que lhe deu existência, a CPI prestou o necessário serviço de demonstrar o facilitário entre polícias e Judiciário para escutas com autorização judicial. Como primeiro desdobramento, ficou clara a constância dos abusos nesses pedidos e concessões, com a inserção aí de telefones e pessoas sob investigações ilegais, as transgressões de prazos e outros desregramentos livres de toda vigilância. E, com tais efeitos, apesar de apenas incipientes e das divergências numéricas com o Judiciário, a primeira fase da CPI levou a providências tanto da cúpula judiciária, como nas empresas telefônicas, onde se instalam as escutas telefônicas ditas judiciais.

A fase subsequente, já tangenciada na primeira, deveria ser a da prática muito difundida de escutas clandestinas, à qual nem todas as grandes telefônicas estão alheias e que conta com uma rede de operadores vasta e livre. A essa altura, porém, a Operação Satiagraha emergiu no noticiário, tendo como ingredientes pouco à mostra o confronto político e funcional de correntes surgidas na Polícia Federal, embora não mais limitadas a ela, e interesses pessoais na política convencional.

Nelson Jobim, ministro da Defesa, teve papel importante no desvio de objetivos que instaurou a imprevista e improdutiva segunda fase da CPI. Em depoimentos sucessivos, alimentou a CPI com informações inverdadeiras sobre a aquisição, pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), de equipamentos especiais para escutas, que teriam permitido a (duvidosa) interceptação de um telefonema do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Até um folheto sobre o equipamento Nelson Jobim apresentou à CPI, com o seu estatuto pessoal de ministro da área governamental que teria feito a compra, nos EUA, para a Abin. O folheto era, de fato, apenas a impressão de uma página de internet. Técnicos do próprio Ministério da Defesa desmentiram a posse do equipamento pela Abin. Mas a CPI já estava contaminada em definitivo pela Satiagraha e seus subterrâneos.

De então para cá, faltava apenas que o governo Lula fizesse a sua parte. O relator Nelson Pellegrino, petista baiano com bom e justo conceito na Câmara, apresentou na CPI um relatório ridículo, pressionado pelo comando do governo para não criar nenhum problema. Diante da reação ao relatório, o governador Jaques Wagner e a Presidência da República tramaram a repentina nomeação de Pellegrino para secretário de Justiça da Bahia. É difícil saber se o mais comprometedor para o deputado foi seu relatório ou a fuga.

À relatora substituta, a apagada petista capixaba Iriny Lopes, coube propor um só indiciamento. O do óbvio Daniel Dantas. O presidente da CPI, Marcelo Itagiba, fez voto em separado, com a proposta de indiciamento do também óbvio Protógenes Queiroz e, na Abin, dos ex-diretores Paulo Lacerda e Milton Campana. O deputado Raul Jungmann e mais cinco oposicionistas também apresentaram voto em separado, mas com cerca de dez indiciamentos. Impulsionada pelo governo, a CPI aprovou o relatório da petista. Nesse capítulo final, portanto, mais uma vez o deplorável não é anormal.

O problema das escutas continua, no entanto. Se as autorizações judiciais legítimas, ao que consta, diminuíram e estão sob certas condições, suas caronas em telefônicas e as escutas clandestinas continuam precisando de uma CPI, à falta de uma investigação policial por conivências das próprias polícias.

Uma luz sobre os porões do grampo

sábado, 9 de maio de 2009

(Veja) – É um erro avaliar o resultado da CPI dos Grampos apenas pela lista de indiciamentos que consta do relatório final da deputada petista Iriny Lopes, aprovado na semana passada. A comissão pescou um peixe grande, o ex-banqueiro Daniel Dantas, deixou escapar um cardume de tubarões, mas, no geral, seus resultados foram além das expectativas.

Deve-se à ação dos deputados o desmantelamento de um complexo aparelho clandestino de espionagem criado dentro do estado para bisbilhotar a vida de ministros, magistrados, advogados e jornalistas – em síntese, o embrião de um estado policial que contava com o aval da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o apoio de membros da Polícia Federal e a simpatia e conivência de alguns juízes e procuradores da República.

A simples exposição pública dessa máquina ilegal que afrontava os princípios elementares da democracia já foi um trabalho de grande relevância produzido pelo Congresso.

“A comissão deu uma contribuição histórica ao país ao revelar as ilegalidades que estavam sendo cometidas à sombra do estado”, explica o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba. Embora o relatório final não tenha solicitado o indiciamento de personagens marcantes do mundo da espionagem, como o ex-diretor da Abin Paulo Lacerda e o delegado Protógenes Queiroz, ações ilegais do grupo foram esmiuçadas no decorrer das investigações.

Após a revelação de que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, foi alvo de grampos telefônicos clandestinos, a estrutura estatal que sustentava a arapongagem ilegal desabou. Paulo Lacerda foi demitido e Protógenes Queiroz, indiciado. Daniel Dantas, um especialista privado em espionagem, está sob investigação federal. O resultado final da CPI poderia ser melhor, mas o que se conseguiu só pode ser visto como um avanço.

CPI só pede indiciamento de Dantas

sexta-feira, 8 de maio de 2009

 (O Globo) – Após 17 meses de investigações, o plenário da CPI dos Grampos aprovou ontem o relatório da deputada Iriny Lopes (PT-ES) com o indiciamento do banqueiro Daniel Dantas, sócio do Opportunity, por escuta ilegal de empresários concorrentes.

Em voto apresentado em separado, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), também pede o indiciamento do ex-diretor da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda, do delegado afastado da PF Protógenes Queiroz, excoordenador da Operação Satiagraha, e do ex-diretor-adjunto da Abin José Milton Campana.

Os deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR), Raul Jungmann (PPSPE) e mais quatro parlamentares apresentaram outro voto em separado sugerindo o indiciamento de nove pessoas, entre elas o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, e o ex-presidente da Associação dos Servidores da Abin Nery Kluwe.

Comissão volta a se reunir apesar de relatório enviado Por acerto da cúpula da CPI, os votos alternativos foram anexados ao relatório de Iriny e, mesmo não tendo sido aprovados pela comissão, serão encaminhados ao Ministério Público Federal. Caberá aos procuradores decidir se acolhem ou arquivam as sugestões. Mesmo com a votação do relatório, a CPI ainda não foi encerrada. Terça-feira, a comissão volta a se reunir para votar destaque de Laerte Bessa (PMDB-DF), que pede a exclusão de um dos indiciados do texto.

Itagiba reclamou do resultado da votação. Ele não se conformou com a não inclusão de Lacerda e Protógenes no parecer da relatora. Para Itagiba, os dois extrapolaram ao destacar 82 agentes da Abin para participar da Satiagraha. Itagiba classifica como ilegal a aliança entre policiais e agentes da Abin na investigação sobre Dantas.

— Houve explícita movimentação da maioria do governo para que os agentes públicos que praticaram crimes em seu nome não fossem indiciados.

Iriny alegou falta de provas. Ela assumiu a relatoria semana passada, com as investigações já encerradas. O exrelator, deputado Nelson Pelegrino (PTBA), pediu licença para assumir a Secretaria de Justiça da Bahia. Coube a Iriny acrescentar apenas o indiciamento de Dantas.

Em nota, a assessoria do Opportunity disse que referências usadas pela CPI para o indiciamento de Dantas são improcedentes. “Daniel Dantas não responde a nenhum inquérito de interceptação telefônica”.
 

Iriny Lopes e Marcelo Itagiba

Iriny Lopes e Marcelo Itagiba

Foto: Saulo Cruz / Agência Câmara

O Brasil antes e depois da CPI dos Grampos

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Numa demonstração incontestável e extremamente oportuna da importância do Congresso Nacional para o pleno funcionamento da democracia no nosso país, a Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas, por mim presidida na Câmara dos Deputados nos últimos catorze meses, deu uma contribuição histórica ao Brasil.

Ao revelar à sociedade as obscuras irregularidades, ilegalidades e crimes que estavam sendo cometidos dentro da chamada caixa-preta dos grampos, a CPI, em primeiro lugar, chamou a atenção da nação para os riscos que estavam sendo oferecidos aos direitos individuais garantidos a todos os cidadãos brasileiros pela nossa Constituição Federal.

Em segundo lugar, as autoridades competentes, diante da gravidade dos fatos trazidos à luz pela CPI, começaram a tomar as devidas providências para combater o que passou a ficar conhecido como Grampolândia.

Não hesito em classificar como contribuição histórica ao país os trabalhos desenvolvidos pela comissão parlamentar de inquérito, que, na imprensa, passou a ser chamada de a CPI dos Grampos. A Câmara dos Deputados, na atual legislatura, fez história ao instalar, corajosamente, a CPI que empreendeu minuciosas investigações para apurar as gravíssimas denúncias sobre grampos ilegais que vinham ocorrendo em todo o território nacional.

Grampos ilegais que, no perigoso contexto em que os fins, ainda que ilegais, justificam os meios, são uma ameaça real ao Estado Democrático de Direito, por atentaram contra o direito à privacidade, que, segundo a Constituição, só pode ser violado em último caso e com a devida autorização da Justiça. 

A CPI pôs um freio no avanço do direito penal do inimigo, cuja abominável doutrina visa suprimir as garantias individuais dos que são tratados como alvos, para que eles sejam submetidos, paradoxalmente, aos rigores previstos na lei.

A CPI dos Grampos foi um freio à embrionária formação de um estado policialesco, no qual o sistema de pesos e contrapesos seria, simplesmente, ignorado, e o direito penal do inimigo prevaleceria.

A CPI realizou 98 sessões e audiências. Registrou 128 depoimentos prestados por ministros, magistrados, procuradores, autoridades policiais, agentes, advogados, empresários, funcionários de operadoras de telefonia e cidadãos comuns. Juntou toneladas de documentos e um incalculável volume de bites em mídias eletrônicas.

O árduo trabalho da comissão, conforme o tempo se encarregará de confirmar, se tornou um marco na história da interceptação telefônica no país, ao dividi-la em duas grandes épocas: a que antecedeu e a que sucedeu a CPI dos Grampos.

Ao fincar o marco divisório num momento em que dentro do ovo da serpente crescia o embrionário estado policialesco, a CPI contribuiu para a manutenção do Estado Democrático de Direito, e isso será comprovado pelas futuras análises dos fatos atuais que serão feitas por cientistas políticos, sociólogos e historiadores. O Brasil antes e depois da CPI dos Grampos.

A história da transposição para uma nova época, que ainda está em seu transcorrer, já se encontra registrada integralmente nas notas taquigráficas de todos os depoimentos prestados à CPI dos Grampos, disponíveis para sempre nos anais e no site desta Casa.

A pesquisa dos fatos registrados na CPI, e que geraram a mudança de hábitos que está sendo promovida nos operadores do sistema repressivo-penal, será feita também nas bibliotecas do país e no infinito universo da internet. Lá estão concentradas reportagens valiosas que reúnem volumosas informações de jornais e sites, áudios e imagens de emissoras de rádio e televisão que cobriram esses catorze meses de investigação parlamentar.

O Brasil antes da CPI dos Grampos começou a terminar com a revelação estarrecedora, feita pela própria CPI, de que, no ano de 2007, 375 mil interceptações autorizadas pela justiça haviam sido feitas em todo o país. Pior: muitas delas haviam sido realizadas por agentes públicos que não possuem a prerrogativa constitucional para fazê-lo.

O que tornou o quadro ainda mais tenebroso foi a constatação de que o Poder Público – leia-se, nesse caso, o Poder Judiciário, o Ministério Público e as Secretarias estaduais de Segurança Pública – não detinha o controle do emprego deste instrumento de fundamental importância para o combate às organizações criminosas. Principalmente, contra as quadrilhas especializadas nos crimes de colarinho branco, lavagem de dinheiro, corrupção, contrabando, tráfico de armas e drogas.

O Brasil depois da CPI dos Grampos começou a surgir com constatação de que, em 2008, em decorrência do trabalho realizado pela CPI, ocorrera uma redução de mais de 40% das interceptações telefônicas autorizadas pela justiça em todo o país. As 375 mil interceptações do ano de 2007 foram reduzidas a 220 mil escutas, numa demonstração cabal de que as autoridades concedentes, alertadas para a farra dos grampos, passaram a ser menos obsequiosas na concessão da medida cautelar.

Essa mudança de hábito ocorreu porque a ação efetiva da CPI instou o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público a tomarem as importantes decisões, estabelecendo rigorosos critérios a serem considerados por magistrados, promotores e procuradores.

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Grampo: Itagiba pede indiciamento de quatro

quarta-feira, 6 de maio de 2009

(O Globo) – Após criticar o que chamou de omissões e equívocos do relatório final da CPI do Grampo, o presidente da comissão, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), apresentou voto em separado e pediu o indiciamento dos principais personagens da Operação Satiagraha: o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual adido policial em Portugal, Paulo Lacerda, o delegado afastado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, o exdiretor adjunto da Abin José Milton Campana e o banqueiro do Grupo Opportunity, Daniel Dantas.

Segundo Itagiba, Protógenes Queiroz, Lacerda e Campana praticaram crimes de falso testemunho, emprego irregular de verba pública e violação de sigilo funcional. Dantas é acusado de contratar grampo ilegal.

Com a decisão marcada para hoje, caberá à recém-empossada relatora, Iriny Lopes (PT-ES), tentar conciliar os votos divergentes do relatório deixado por Nelson Pellegrino (PT-BA), que se licenciou para assumir a Secretaria de Justiça da Bahia. Iriny disse cogitar o indiciamento de Dantas, mas afirmou não ver ilegalidade no uso de 56 agentes da Abin na Satiagraha:

— Essa parte da Abin é onde temos que tomar o maior cuidado. Os votos em separado dizem que isso caracterizou ilegalidade. Acho que não. Não existe lei que determine ou proíba a participação. E muitos disseram que existe uma cultura e vários casos de colaboração.

Além de falso testemunho e quebra de sigilo funcional, o relatório de Itagiba afirma que houve desvio de verba pública. Segundo ele, depois que Lacerda deixou a diretor-geral da PF para assumir a Abin, passou a comandar extraoficialmente a Satiagraha, com desvio de recursos humanos e desrespeito ao novo comando da PF: “A despeito das evasivas do doutor Lacerda, não resta dúvida de que deixou de prestar esclarecimentos à CPI e que, quando prestou, o fez falsamente. A participação da Abin se mostrou cada vez mais complexa, inclusive com dispêndio importante de recursos públicos e a locação de vários agentes, contrariamente do que quis levar a CPI a acreditar”, escreveu Itagiba, em seu voto.

 

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Iriny Lopes e Marcelo Itagiba

Foto: Brizza Rodrigues / Agência Câmara

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Presidente da CPI dos Grampos sugere indiciamento de Dantas, Protógenes e Lacerda

terça-feira, 5 de maio de 2009

(Folha Online, em Brasília, às 16h45) – Em voto separado apresentado nesta terça-feira à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o presidente da comissão Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) sugeriu os indiciamentos do delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, e do ex-diretor geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda. Itagiba, que é presidente da CPI, argumenta que os protagonistas da Operação Satiagraha precisam responder judicialmente por crimes cometidos em meio às investigações da Polícia Federal.

O deputado sugere os indiciamentos de Protógenes e Lacerda por violação de sigilo funcional durante a Satiagraha e emprego irregular da verba pública –com a utilização de recursos da Abin numa operação coordenada pela Polícia Federal. A Satiagraha investiga supostos crimes financeiros atribuídos a Dantas.

Itagiba ainda defende que os dois sejam indiciados por falso testemunho, uma vez que prestaram versões distintas à CPI sobre a participação de agentes da Abin na Satiagraha.

O deputado ainda sugere o indiciamento de Milton Campana, ex-diretor da Abin na época de Lacerda, por violação de sigilo funcional e emprego irregular de verba pública.

“No caso do Lacerda, todas as chances foram dadas para escapar do indiciamento. Mas ele aqui não compareceu para se explicar, conquistou liminar no STF [Supremo Tribunal Federal] para evitar acareação com aqueles que o contradisseram”, afirmou o presidente da CPI.

Segundo Itagiba, Dantas deve ser indiciado por interceptação telefônica ilegal. O presidente da comissão acredita que o banqueiro contratou serviços de interceptação telefônica clandestina para obter informações privilegiadas ao Grupo Opportunity na briga pelo controle da Brasil Telecom.

O deputado ainda sugere recomendações à Polícia Federal e GSI (Gabinete de Segurança Institucional) para que se certifiquem de que a Abin não possui equipamentos para a realização de escutas clandestinas no país –assim como solicita o encaminhamento de documentos e depoimentos prestados à comissão para o Ministério Público Federal.

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Itagiba também quer citar banqueiro na CPI

terça-feira, 28 de abril de 2009

 (O Estado de S. Paulo) – No dia em que a Polícia Federal (PF) indiciou o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, por seis crimes financeiros, o presidente da CPI dos Grampos, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), confirmou que também vai propor o indiciamento do empresário, desta vez por grampos ilegais na disputa societária com a Telecom Itália.

Na reta final – a CPI está prevista para terminar amanhã com a votação do relatório final -, Itagiba vai apresentar um voto em separado para incluir não apenas a proposta de indiciamento de Dantas, mas também a do delegado Protógenes Queiroz, a do ex-diretor da PF e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda e a do ex-diretor-adjunto da Abin José Milton Campana.

No caso do três, segundo Itagiba, o pedido de indiciamento é por falso testemunho. “Eles faltaram com a verdade ao depor na comissão e a investigação e os fatos nos mostraram isso”, anotou Itagiba.

O voto em separado foi motivado pela ausência dos pedidos de indiciamentos no relatório oficial da CPI, apresentado pelo relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), na semana passada. Em 394 páginas, ele propôs o indiciamento de apenas quatro personagens periféricos, deixando de fora os principais investigados.

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CPI desperdiçada

terça-feira, 28 de abril de 2009

(Editorial – O Estado de S. Paulo) – A CPI dos Grampos poderá votar hoje o parecer do relator Nelson Pelegrino (PT-BA). Ele poupou os protagonistas centrais do escândalo que acabou se transformando na razão de ser da investigação aberta há 16 meses na Câmara dos Deputados – os desmandos cometidos no curso da Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz. Afastado de suas funções e respondendo a dois processos disciplinares na Polícia Federal (PF), ele compartilha a benevolência de Pelegrino com o seu mentor Paulo Lacerda, o ex-diretor-geral da Abin, “premiado” com o posto de adido policial em Lisboa, e com o seu arqui-inimigo, o banqueiro Daniel Dantas.

Dando razão aos prognósticos de que a CPI só alcançaria peixes pequenos, o relator limitou-se a pedir o indiciamento de um sargento da Aeronáutica acusado de trabalhar para Protógenes, pela posse de material sigiloso, e de dois policiais civis, por suspeita de interceptação ilegal em situações não relacionadas com a momentosa operação da PF. Para justificar a sua leniência, Pelegrino invocou o esfarrapado argumento de que não teria sentido denunciar Protógenes e Dantas porque ambos já tinham sido indiciados, um pela Polícia Federal, o outro pela Justiça. No caso de Lacerda, o pretexto é ainda mais aguado – tendo ele corrigido por escrito o seu único depoimento à CPI, no ano passado, não teria cometido “falso testemunho”.

O problema, naturalmente, é outro – e muito mais sério. Segundo o presidente da comissão, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que comunicou que em relatório em separado proporá ao Ministério Público o indiciamento da trinca, “o governo atuou pesado na CPI para proteger Lacerda”. O deputado sustenta que Lacerda foi o “mandante” das irregularidades praticadas no curso da investigação contra Daniel Dantas (já condenado a 10 anos de prisão por corrupção). “Protógenes não agiu sozinho nem por conta própria”, acusa. Quando Lacerda dirigia a PF, ele teria recebido carta branca para conduzir a operação. Depois que o padrinho foi para a Abin, Protógenes continuou a se reportar a ele.

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Presidente da comissão destaca avanços contra o descontrole

segunda-feira, 27 de abril de 2009

(Jornal do Brasil) – Instalada há 17 meses para apurar a suspeita de que as mais altas autoridades da República se tornaram alvos frequentes de arapongas, a CPI do Grampo encerra seus trabalhos amanhã promovendo avanços institucionais no combate à espionagem política. Mas o relatório final não terá nenhuma linha que possa esclarecer se a transcrição do diálogo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), publicada no final de agosto do ano passado pela revista Veja, é ou não produto de uma espionagem clandestina. Ainda que não tenha sido concluído, o inquérito da Polícia Federal aponta no mesmo caminho: sem o áudio da conversa – ainda mistério – não é possível dizer que houve grampo.

– O ministro Gilmar e o senador Demóstenes concordam que houve o diálogo, mas há um problema grave, que é a ausência do áudio – diz o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), relator do texto que o plenário da CPI do Grampo deverá votar amanhã.

O relatório toca de leve no assunto, mas não esclarece se a espionagem aconteceu ou não – papel que a CPI deixou à Polícia Federal. Entre os deputados e policiais que investigam o caso começa a ganhar corpo a hipótese de que a transcrição do diálogo também possa ser uma montagem de alguém interessado em causar tumulto num momento em que o país vivia uma crise institucional gerada pelos desdobramentos da Operação Satiagraha.

Se não há prova de que houve o crime, será impossível se chegar à autoria. Há um descompasso entre o que pensam Pellegrino e o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que não tem dúvidas de que Mendes e Torres foram grampeados. Itagiba baseia-se no que declararam o presidente do STF e o senador para firmar sua convicção. Mas eles apenas “acham”.

Os dois deputados divergem também sobre os alvos da CPI. Ao contrário de Pellegrino, Itagiba diz que, em voto separado, vai indiciar os delegados Paulo Lacerda (hoje adido policial em Portugal), Protógenes – os dois por falso testemunho – e o banqueiro Daniel Dantas, por ter contratado a empresa de investigação americana Kroll para espionar o primeiro e o segundo escalões do governo.

– O Protógenes foi mero instrumento do Lacerda – afirma o presidente da CPI.

Segundo Itagiba, o ex-diretor da Abin foi o verdadeiro mentor da Operação Satiagraha, o que deixa o governo numa saia justa num momento em que Protógenes afirma que as investigações em torno do banqueiro eram de interesse do Palácio do Planalto.

O presidente da CPI do Grampo diz que, embora não tenha chegado à autoria das escutas clandestinas, a investigação desnudou o mundo da espionagem, enquadrou órgãos que não tinham autorização para grampear – como a Polícia Rodoviária Federal – e demonstrou a necessidade de os órgãos públicos se organizarem para coibir a banalização do grampo e colocar controles na concessão de autorização e o emprego de equipamentos.

O voto em separado será decidido amanhã, numa nova queda-de-braço entre a oposição e a bancada governista, que quer ver esse caso encerrado logo, mesmo que se tenha de por panos quentes numa denúncia que abalou a credibilidade dos órgãos públicos de segurança e inteligência e levou Mendes, no auge da crise institucional, a suspender uma viagem internacional para comparecer a uma audiência em que pretendia chamar “às falas” o presidente Lula.

Para ler a íntegra da reportagem clique aqui.

Oposição vai apresentar relatório pedindo indiciamento de Dantas, Protógenes e Lacerda

quinta-feira, 23 de abril de 2009

(Folha Online, às 13h58) – Deputados da oposição que integram a CPI das Escutas Clandestinas da Câmara vão sugerir o indiciamento do banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, por participação em escutas clandestinas ilegais. Em um voto separado ao relatório apresentado nesta quinta-feira pelo deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), relator da comissão, a oposição também vai sugerir os indiciamentos do delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, e do ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Paulo Lacerda, por falso testemunho.

Os deputados oposicionistas afirmam que Protógenes e Lacerda faltaram com a verdade ao afirmar à comissão que a participação de homens da Abin na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, foi apenas informal. A operação investiga supostos crimes financeiros atribuídos a Dantas.

O presidente da comissão, deputado Marcelo Itabiga (PMDB-RJ), também deve apresentar voto em separado sugerindo o indiciamento do banqueiro Daniel Dantas por escutas telefônicas clandestinas. Itagiba disse estar “mais do que comprovada” a ligação de Dantas com grampos telefônicos ilegais.

O presidente da CPI também defende o indiciamento de Protógenes e Lacerda por falso testemunho. Após a votação do relatório final e dos votos em separado, a CPI encerra as suas atividades.

Nelson Pellegrino e Marcelo Itagiba, durante a leitura do relatório

Nelson Pellegrino e Marcelo Itagiba, durante a leitura do relatório

Foto: Luiz Xavier / Agência Câmara

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CPI dos Grampos: relator não deve pedir indiciamentos

quarta-feira, 22 de abril de 2009

(Agência Estado) – O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), vai apresentar amanhã seu relatório final. Pelo que sinalizou hoje, ele não deverá pedir os indiciamentos do delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz, ex-chefe da Operação Satiagraha, do ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda e do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.

“Não gostaria que o resultado da CPI fosse medido pelo pedido de indiciamento de A, B ou C. Tenho minhas convicções pessoais e concepções filosóficas e de formação, e meu relatório seguirá essa linha. Tudo que tiver no meu relatório é com base em prova. Eu não vou mudar. Trabalhei 16 meses nessa CPI”, disse Pellegrino, negando pressão do Planalto para encerrar logo a investigação.

Diante da sinalização de Pellegrino em relação aos não-pedidos de indiciamento, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), advertiu que espera que a postura da comissão não seja usada em defesa dos acusados. “Não quero que a CPI seja usada pela defesa para falar que como a CPI não indiciou, como Estado pode (indiciar)?” O presidente da CPI já afirmou reiteradas vezes que vai apresentar um voto em separado pedindo os indiciamentos de Lacerda e Protógenes por falso testemunho e de Dantas por interceptações telefônicas.

Para Itagiba, falta à CPI ouvir três depoimentos importantes: o do juiz da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto De Sanctis, o do procurador da República Rodrigo De Grandis e de Paulo Lacerda. Na semana passada, Lacerda, hoje adido policial em Portugal, conseguiu habeas-corpus junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para não vir ao Brasil depor. Ele alegou dificuldade em deixar Lisboa neste momento.

A CPI dos Grampos foi criada em dezembro de 2007 e oficialmente tem até o dia 14 de maio para ser concluída. Pellegrino observou também não ver razões para pedir indiciamento de pessoas que já estão, de fato, indiciadas. Dantas já foi indiciado pela Justiça e Protógenes pela PF.

Marcelo Itagiba e o delegado Ricardo Gonzales, que depôs hoje na CPI dos Grampos

Marcelo Itagiba e o delegado Ricardo Gonzales, que depôs hoje na CPI dos Grampos

Foto: Rodolfo Stuckert / Agência Câmara

Eles vão barrar os abusos?

terça-feira, 21 de abril de 2009

(Istoé) – O delegado Protógenes Queiroz confirmou, em depoimento recente, a montagem de um sistema paralelo de investigações na Polícia Federal, com o auxílio de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Também garantiu que os arapongas envolvidos na Operação Satiagraha agiram ao arrepio da lei, mas com pleno conhecimento de seus superiores na PF e até mesmo do Palácio do Planalto. Essas declarações não podem cair no vazio. Ou Protógenes está delirando ou ele é o cabeça de um esquema ilegal que merece ser imediatamente devassado.

Qualquer pessoa que tenha acesso às peças ficcionais produzidas nas investigações tortuosas de Protógenes constata que elas são um retrato fiel do Estado policialesco que se instalou no País. Não se trata de um exemplo isolado de abuso de autoridade. O momento é grave e ameaça os direitos da cidadania. Mas, pelo bem da democracia, os titulares dos Três Poderes firmaram, esta semana, o II Pacto Republicano, que tem exatamente o objetivo de dar um basta a esta anarquia autoritária. Já era tempo. “Os métodos de atuação da polícia são fundamentais para o respeito aos direitos humanos e à qualidade das provas”, destacou o presidente do Senado, José Sarney.

Firmado pelo presidente Lula, o senador José Sarney e os presidentes da Câmara, Michel Temer, e do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o II Pacto Republicano pretende diminuir a lentidão da Justiça, dar aos mais pobres acesso aos tribunais e, acima de tudo, conter o abuso de autoridade. O I Pacto Republicano destinou-se à reforma do Judiciário. A segunda versão nasceu da revolta do ministro Gilmar Mendes com os excessos cometidos na Operação Satiagraha. Algumas medidas têm como alvo as ações cinematográficas da PF. No rol de propostas, há medidas para controlar as escutas telefônicas, sobre o uso de algemas e os pedidos de prisão preventiva. Dois dos projetos considerados prioritários – o que pune o abuso de autoridade e o que tipifica os crimes de milícias – são de autoria do deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

“Hoje há uma resistente politização do aparelho policial, com acordos entre policiais, alguns juízes de primeira instância e alguns procuradores”, acusa Jungmann. “Muitas vezes atuam ao arrepio do ordenamento legal, do Estado de Direito.” De agora em diante, os prejudicados poderão processar diretamente delegados, membros do Ministério Público e magistrados. Hoje os processos contra autoridades passam pelo Ministério Público, que muitas vezes é uma das partes. Pelo projeto de Jungmann, a ação será privada, como no caso de crimes contra a honra.

O presidente da CPI do Grampo, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), vai apresentar projeto de lei determinando que as escutas telefônicas só possam ser feitas a partir da existência de um inquérito já informado ao juiz. O prazo máximo da escuta, hoje indeterminado, será de seis meses. Itagiba também quer propor a criminalização da posse de equipamentos de escuta, com prisão em torno de três anos. Portar maleta de grampo será como portar arma, explica ele.

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Para CPI, Lacerda ordenou crime

terça-feira, 21 de abril de 2009

(O Estado de S.Paulo) – “Há um mandante nesse crime e o nome dele é Lacerda”, declarou ontem o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da CPI dos Grampos, referindo-se ao suposto envolvimento do ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Paulo Lacerda, na Operação Satiagraha.

Para Itagiba, o delegado Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha, “pôs em prática” ilegalidades no curso da investigação contra o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa. “Lacerda é o mandante. Protógenes não agiu sozinho e por conta própria”, disse o parlamentar, que ouviu em São Paulo três procuradores da República.

Para o presidente da CPI, Protógenes – afastado de qualquer atividade até conclusão de processo disciplinar – recebeu “carta branca” da PF para conduzir Satiagraha, no período em que Lacerda exercia o cargo de diretor-geral da instituição.

Na ocasião, assinala o presidente da CPI, Protógenes reportava-se a Lacerda, a quem comunicava cada passo da missão. “A investigação saiu de um eixo vertical para um eixo diagonal”, avalia. “A PF é uma estrutura verticalizada. Enquanto Lacerda estava à frente do departamento, a ação era subordinada à PF. Quando vai para a Abin, leva a coordenação da operação com ele. Embora não queiram admitir, isso fica bem claro.”

Segundo a PF, foi com a anuência de Lacerda que Protógenes recrutou agentes da Abin para a investigação e a eles deu pleno acesso a dados confidenciais da Satiagraha, inclusive ao sistema Guardião, a máquina de grampos da instituição. Segundo inquérito, 84 arapongas atuaram no caso.

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