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CNJ vai verificar divergências entre números de telefones grampeados no país

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

(Folha Online, às 17h32) – O presidente da CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), vai encaminhar ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) os números levantados pela comissão sobre a quantidade de telefones monitorados por escutas no país. Enquanto o CNJ divulgou o número de 11.846 telefones monitorados atualmente por escutas, a CPI chegou ao total de 375 mil interceptações.

No encontro com o corregedor-nacional de Justiça, Gilson Dipp, nesta terça-feira, Itagiba disse que a divergência entre os números é conseqüência do método utilizado para o levantamento das escutas.

“Nós demonstramos que os nossos dados se referem ao ano de 2007, que foram fornecidos pelas empresas de telefonia, diferentemente da informação que o conselho recebeu, que são os dados de 2008 apenas referentes a dois meses e não contém os dados tão completos como os fornecidos pelas empresas de telefonias, porque os dados que eles receberam são oriundos dos tribunais nos Estados”, afirmou Itagiba.

O deputado disse que vai encaminhar os dados da CPI ao CNJ para que o órgão possa verificar se existem incorreções nos números encaminhados ao conselho pelos tribunais que autorizam a realização das escutas. Itagiba disse acreditar que, após a fiscalização da CPI, os juízes estão mais rigorosos para conceder autorizações para escutas telefônicas.

“Desde que a CPI se iniciou houve uma considerável redução de solicitações e também de deferimentos. Os juizes passaram a ser mais rigorosos na concessão de interceptações”, afirmou.

O presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, disse não acreditar em divergências entre os números levantados pelo conselho e pela CPI. “A rigor, aqui não há divergência. Teriam chegado mais informações de São Paulo e outros Estados que estavam faltando. Creio que chegaria ao total de 14 mil telefones monitorados. Em um curto espaço de tempo vamos ter informações precisas sobre as razões desse divórcio”, afirmou Mendes.

Polêmica

Ao divulgar o balanço das escutas telefônicas no início de novembro, Dipp chegou a afirmar que os números de escutas eram “infinitamente menores” do que as 375 mil interceptações apontadas pela CPI, o que provocou a irritação de Itagiba. Na ocasião, o deputado disse que a declaração do ministro era “imprópria” porque não Dipp não poderia comparar “banana com laranja” –uma vez que se tratavam de levantamentos realizados em períodos distintos.

Segundo o CNJ, existem hoje 11.846 telefones monitorados por escutas no país. Os dados são referentes ao ano de 2008. A CPI, por sua vez, havia divulgado a existência de 375 mil grampos telefônicos –mas Itagiba garantiu que o valor se refere exclusivamente ao ano de 2007, com dados repassados pelas operadoras.

Em novembro, o CNJ divulgou o balanço das interceptações telefônicas legais levantado pelo órgão desde que o conselho aprovou resolução que determinou o envio mensal das solicitações judiciais das interceptações. Não enviaram informações ao CNJ os tribunais dos Estados de Alagoas, Mato Grosso, Paraíba, Tocantins e São Paulo.

Todos contra o crime

domingo, 10 de setembro de 2006

A grande apreensão esta semana, no Paraguai, de mais de 600 armas que teriam como destino o Brasil é mais uma demonstração da necessidade de que a segurança pública se torne uma prioridade nacional, o mais rápido possível. As organizações criminosas agem como milícias armadas que aterrorizam a população, atacam os poderes constituídos e desafiam o Estado. Ao longo dos anos, o crime estendeu seus tentáculos e criou ramificações por todo o país, traficando drogas, lavando dinheiro, cometendo assassinatos e outras modalidades de crime. Os estados e o governo federal precisam agir juntos contra essa ameaça. Temos que encurralar os bandidos, prendê-los e, empregando todos os recursos da área de inteligência policial, quebrar a sua espinha dorsal, que é a lavagem de dinheiro obtido de forma criminosa.
Tenho dito e repito: isoladamente, as ações das polícias estaduais não surtirão os efeitos esperados. Nos últimos três anos, somente os policiais do Rio de Janeiro retiraram de circulação os 80 chefões do tráfico, fizeram mais de 64 mil prisões e apreenderam nas mâos dos bandidos 45 mil armas.

Segurança Pública no Rio

sexta-feira, 8 de setembro de 2006


Este é um dos vídeos com depoimentos meus sobre o conceito de combate ao crime que empreguei quando secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. O depoimento é seguido de imagens feitas do helicóptero da PM que possui câmera de observação noturna. Em três anos, investimos R$ 150 milhões em modernos equipamentos para o enfrentamento ao tráfico no Rio de Janeiro.
Os outros vídeos podem ser assistidos no You Tube.

Quem compra peças de carros roubadas estimula o crime?

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

No meu último comentário, tratei da questão do papel de financiadores do tráfico que, admitido ou não, é exercido pelos usuários de drogas, que dão o suporte financeiro necessário para que os criminosos comprem armas de guerra que oferecem riscos a todos.

Ontem, o “Fantástico” exibiu mais uma grande operação da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis, a DRFA, que vem realizando um sério trabalho no combate a essas duas modalidades de crime no Rio de Janeiro. Após um minucioso trabalho de inteligência, aliás uma exemplar característica das equipes da DRFA, os policiais cercaram e desarticularam, na zona oeste do Rio, uma “feira” de vendas de peças de veículos de procedência não comprovada, ou seja, provavelmente fruto dos crimes de roubos e veículos. As imagens levadas ao ar mostravam as pessoas comprando peças como quem vai à feira comprar frutas e legumes, como se não houvesse nada demais nisso. Isso é inadmissível!! É um estímulo ao crime!!

Imagine, você, como se sentiu, ao assistir à reportagem, uma pessoa que sofreu a violência praticada por um ladrão de carros que levou o seu patrimônio? E a reação de quem teve um parente ferido ou morto por um ladrão de carros, capaz de extirpar uma vida, para se apoderar do bem material?

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Ataques do PCC e a crise de segurança nacional

domingo, 13 de agosto de 2006

É preciso endurecer o enfrentamento às quadrilhas organizadas de traficantes que, não só em São Paulo onde houve uma onda gravíssima de atos violentos, mas em todo o território nacional, têm levado insegurança à população, sobretudo nas grandes metrópoles, numa escalada de violência jamais vista. Até quando a sociedade brasileira, aviltada por uma onda de assaltos, seqüestros e assassinatos, terá que ouvir das pessoas responsáveis pela reformulação da legislação penal e pela aplicação das forças de repressão que é preciso investir menos em ações de confronto e mais na recuperação dos presos? É preciso ter coragem e dizer que, na verdade, embora realmente uma boa parte da populaçào carcerária precisa de educação e trabalho nas unidades prisionais onde estão encarceradas, existem, sim, criminosos irrecuperáveis. Chega de hipocrisia. Alguém em sã consciência acha mesmo que bandidos como Fernandinho Beira-Mar e Marcola, por exemplo, que mandam assassinar pessoas, muitas vezes com requintes de crueldade, por meio de torturas e mutilações, são recuperáveis?

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A arma do cidadão é a consciência

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

As favelas não são um problema criado por aqueles que não tinham onde morar, mas sim a solução por eles encontrada para suprir a inexistência de uma política habitacional que, somada à total falta de oportunidades sociais, vai aumentando cada vez mais o fosso que nos afasta de uma existência pacífica. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, tem hoje mais de 650 favelas. No ano 2010, elas concentrarão 21,1% da população (1,4 milhão de pessoas), segundo projeção do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS). O avassalador processo de favelização da cidade, acrescido do entrincheiramento dos bandidos e do tempero da droga, potencializa a violência e exige, urgentemente, a revisão de conceitos equivocados segundo os quais somente o organismo policial tem responsabilidade pela segurança do cidadão. Polícia não é solução para problemas sociais.

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